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  "sourcesContent": ["import{jsx as e,jsxs as a}from\"react/jsx-runtime\";import{ComponentPresetsConsumer as o,Link as s}from\"framer\";import{motion as r}from\"framer-motion\";import*as i from\"react\";import{Youtube as n}from\"https://framerusercontent.com/modules/NEd4VmDdsxM3StIUbddO/bZxrMUxBPAhoXlARkK9C/YouTube.js\";export const richText=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C ...\"})}),\" Renato se viu, ent\\xe3o, diante de uma clareira.\"]}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Depois que decidiu seguir pelo lado leste da encruzilhada, depois que pareceu ter sido um arco-\\xedris sobre a sua cabe\\xe7a, chegou \\xe0 clareira.\"}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[\"Imediatamente pensou que sua decis\\xe3o tinha sido acertada, pois estava num lugar muito diferente de tudo que havia visto antes. Por um momento, enquanto caminhava apressado por entre as flores que cresciam baixas colorindo a trilha, teve a impress\\xe3o de que estava sendo vigiado. Parou de repente e olhou ao redor; os dedos no controle do \",/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:\"game\"}),\", prontos para um movimento r\\xe1pido. Deu mais alguns passos, parou e olhou subitamente para tr\\xe1s, como fazem os detetives nos filmes: n\\xe3o, ningu\\xe9m por ali o espreitava, era apenas impress\\xe3o.\"]}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Nada al\\xe9m das flores ao redor, balan\\xe7ando suavemente com o soprar do vento, para l\\xe1 e para c\\xe1. Nada al\\xe9m das cores delicadas e ondulantes, como num bal\\xe9 m\\xe1gico a implorar audi\\xeancia. Ah, como gostaria de estar naquela clareira ao lado do av\\xf4 e desfrutar com ele a beleza da paisagem. Como o av\\xf4 iria gostar de ver todas aquelas flores juntas, sentir o perfume, ver os p\\xe1ssaros sobrevo\\xe1-las. Como gostaria de mostrar ao av\\xf4 o local m\\xe1gico que encontrara. Mas n\\xe3o havia tempo. N\\xe3o podia permanecer ali ou em qualquer lugar que fosse por mais de um segundo. Precisava, antes, encontrar o av\\xf4. Precisava caminhar o mais r\\xe1pido poss\\xedvel.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Seguiu pela trilha que atravessava a relva em toda a sua extens\\xe3o. De repente, a sensa\\xe7\\xe3o de que estava sendo observado voltou a se intensificar. Olhos que o vigiavam desde a mata. Mas, por mais que tentasse, n\\xe3o conseguia localiz\\xe1-los. Com todo o cuidado do mundo, com firmeza, continuou a cruzar a clareira, quando come\\xe7ou a sentir um cheiro diferente, que n\\xe3o parecia ser s\\xf3 o do perfume das flores. Talvez um cheiro de comida. Comida sendo preparada, pensou consigo mesmo. Sim, sim, poderia ser! Um cheirinho bom de feij\\xe3o no fogo. Um aroma t\\xe3o inebriante que o fez lembrar de sua casa e at\\xe9 ouvir o barulho ritmado da panela de press\\xe3o. Por\\xe9m, a fome era tanta que poderia estar apenas imaginando, tal como acontece com as miragens no deserto, pensou. H\\xe1 quanto tempo n\\xe3o comia nada al\\xe9m de bananas que amarelavam nos cachos e uma ou outra fruta que ia encontrando pelo caminho? Ningu\\xe9m era capaz de imaginar a fome que sentia!\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Renato tentou se deixar conduzir pelo cheiro. Mais \\xe0 frente a clareira terminava e voltava a dar lugar ao mato denso. Procurou por um local onde fosse mais f\\xe1cil penetrar na mata. Com muito cuidado, decidia onde colocar os p\\xe9s para que um espinho ou, pior, uma cobra, uma aranha, ou o que quer que fosse n\\xe3o o surpreendesse. Perdera um p\\xe9 do t\\xeanis ao se livrar do ninja, e tivera que se desfazer do p\\xe9 que restara para facilitar o equil\\xedbrio. Agora, por\\xe9m, o tanto que correra, o tanto que j\\xe1 caminhara descal\\xe7o, fizera que desse passos mais decididos. As solas dos p\\xe9s j\\xe1 n\\xe3o do\\xedam como antes.\"}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[\"O cheiro parecia cada vez mais intenso. Foi ent\\xe3o que uma cor vermelha come\\xe7ou a se destacar entre o verde-escuro da mata. Renato localizou o telhado n\\xe3o muito longe de onde estava, num declive, na encosta de um morro que se descortinava bem \\xe0 frente. Apressou o passo esperan\\xe7oso, mas, ao mesmo tempo, com cautela. Tudo parecia calmo. Chegou a pensar que jamais algu\\xe9m escolheria um lugar assim para morar, longe de tudo. Agu\\xe7ou ainda mais os sentidos, os dedos nas teclas do \",/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:\"game\"}),\", atento para qualquer emerg\\xeancia.\"]}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Sim, era uma constru\\xe7\\xe3o pequena, inacabada, cercada de mato por todos os lados. E era tudo. Como algu\\xe9m poderia viver num lugar daqueles?\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Renato podia ver a chamin\\xe9 e a rala cortina de fuma\\xe7a subindo em mechas e se desfazendo no c\\xe9u. E que se desprendia (a fome agu\\xe7ou sua imagina\\xe7\\xe3o) do feij\\xe3o que cozinhava lentamente num fog\\xe3o a lenha. Era a prova que faltava para se certificar de que realmente morava algu\\xe9m ali, mas ele precisava ser cuidadoso. Por isso continuou na espreitada, agachado entre os arbustos, sem saber como agir.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Foi quando concluiu que aquele era um esconderijo perfeito.\"}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[\"De repente, a porta se abriu. Em seguida, Renato viu surgir um c\\xe3o, um enorme c\\xe3o rajado. Tinha a cabe\\xe7a t\\xe3o grande, t\\xe3o grande, que parecia duas. O c\\xe3o atravessou a soleira da porta e parou, atento. Levantou as orelhas, que em seguida se aprumaram em linha, e come\\xe7ou a farejar o ar em sua dire\\xe7\\xe3o.\",/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\" \u201D\"})]})]});export const richText1=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C... \"}),\"Quem tamb\\xe9m n\\xe3o estava l\\xe1 muito feliz com a situa\\xe7\\xe3o era o seu cavalo.\"]}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Ele envelhecera como o dono.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Ficara t\\xe3o velho, t\\xe3o velho que j\\xe1 n\\xe3o conseguia mais se controlar.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"E, virava e mexia, ia emporcalhando os caminhos por onde passava, fazendo coc\\xf4 em qualquer lugar.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Bastava apenas dar alguns trotes e... pluft, ploft, pluct, ploc...\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Mal tinha tempo de levantar o rabo. E ia deixando aquele rastro fedorento pelo ch\\xe3o, a ponto de todos no povoado reconhecerem quando viam pelas estradas o coc\\xf4 do cavalo do bandido.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"O seu dono, montado nele, quando surpreendia algu\\xe9m para roubar, e gritava:\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u2013 M\\xe3os ao alto: isto \\xe9 um assalto!\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"A v\\xedtima, como acontecia nessas ocasi\\xf5es, come\\xe7ava a rir, e ria tanto, de gargalhar.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"O coitado do cavalo do bandido tamb\\xe9m n\\xe3o se aguentava e... pluft, ploft, pluct, ploc... Ambos, ent\\xe3o, ele e seu dono, acabavam por desistir do assalto. E viravam as costas e sa\\xedam de cena tristes, desacreditados, seguindo o longo caminho de volta para a ro\\xe7a.\"}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[\"Pois bem, a hist\\xf3ria que vamos contar sobre o bandido, o cavalo do bandido e o cocoz\\xe3o do cavalo do bandido, aconteceu neste mesmo povoado, com essa mesma gente que os desprezava. \",/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C\"})]}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[/*#__PURE__*/a(\"strong\",{children:[\"Anima\\xe7\\xe3o\",/*#__PURE__*/e(\"br\",{}),\"Ilustra\\xe7\\xe3o: \"]}),/*#__PURE__*/e(s,{href:\"https://www.acriacao.net\",openInNewTab:!0,smoothScroll:!1,children:/*#__PURE__*/e(\"a\",{children:/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"Afonso Belarmino\"})})})]}),/*#__PURE__*/e(r.div,{className:\"framer-text-module\",style:{\"--aspect-ratio\":\"560 / 315\",aspectRatio:\"var(--aspect-ratio)\",height:\"auto\",width:\"100%\"},children:/*#__PURE__*/e(o,{componentIdentifier:\"module:NEd4VmDdsxM3StIUbddO/bZxrMUxBPAhoXlARkK9C/YouTube.js:Youtube\",children:a=>/*#__PURE__*/e(n,{...a,play:\"Off\",shouldMute:!0,thumbnail:\"Medium Quality\",url:\"https://www.youtube.com/watch?v=1wBKiwmgjYg\"})})})]});export const richText2=/*#__PURE__*/e(i.Fragment,{children:/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C... \"}),\"O \\xf4nibus seguia com velocidade. Fazia as curvas t\\xe3o inclinado que seu Arselino pressionava o ombro contra o meu. Os passageiros que viajavam em p\\xe9, aos poucos, iam se sentando quanto mais nos aproxim\\xe1vamos da chegada, ou saltavam em pontos cada vez mais distantes um do outro. No lugar onde desciam eu olhava a paisagem ao redor. Para qualquer lado que olhasse, tentando localizar onde moravam, via somente morros cobertos de mata virgem, naquela regi\\xe3o despovoada j\\xe1 quase dentro da serra. Onde constru\\xedram suas casas? me perguntava. Como seria viver ali? O \\xf4nibus deixava o ponto e voltava para a estrada. Cruzava, vez ou outra, com caminh\\xf5es velhos tremelicando sobre o asfalto, chacoalhando a madeira da carroceria, como her\\xf3is sobreviventes. Na maioria, feirantes transportando hortali\\xe7as em caixotes amontoados sobre restos de folhas secas, batendo tamb\\xe9m a lataria da cabine, h\\xe1 muito arruinada. Um carro ultrapassou o \\xf4nibus, e, num primeiro momento, eu n\\xe3o consegui identificar a marca, pois a parte da frente parecia ser de um modelo de autom\\xf3vel, enquanto a parte de tr\\xe1s, de outro. Fizemos uma curva para \\xe0 esquerda e iniciamos uma descida \\xedngreme, o motor na marcha reduzida, e foi como se adentr\\xe1ssemos um t\\xfanel verde de \\xe1rvores copadas. Outra curva \\xe0 direita, e as marcas da civiliza\\xe7\\xe3o foram reaparecendo. Pequenas ch\\xe1caras, s\\xedtios. Uma casa aqui e outra ali; casas simples, rodeadas por roupas no varal, demarcando os quintais. E reparei; pareciam repetir o mesmo arranjo est\\xe9tico entre elas, numa imita\\xe7\\xe3o negligente: a cerca viva de arbustos a envolver dois ou tr\\xeas fios de arame farpado, o port\\xe3o de madeira ressequida, e o ch\\xe3o de terra batida que levava \\xe0 porta principal, invariavelmente circundada de mato, onde galinhas ciscavam soltas. Cachorros vira-latas deitados ao sol. Terrenos malcuidados, por capinar, e sempre um detalhe \u2014 \",/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:\"o\"}),\" \",/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:\"detalhe\"}),\" \u2014 a chamar minha aten\\xe7\\xe3o: como se algo provis\\xf3rio, colocado numa situa\\xe7\\xe3o de emerg\\xeancia, tivesse com o passar dos anos se transformado em duradouro, definitivo. A chapa de lata a tapar o buraco da cerca, no lugar onde a madeira apodrecera. E me perguntava: h\\xe1 quanto tempo aquela chapa estaria ali? Blocos de cimento, talvez sobras da constru\\xe7\\xe3o, empilhados ao fundo e tufos de capim crescendo dentro, como se a natureza cuidasse de embrulhar os blocos. A falta de um vidro na janela, preenchida por um peda\\xe7o de papel\\xe3o duro. Um balde tombado no ch\\xe3o e parte dele coberto pelo mato. Um tubo antigo de televis\\xe3o se enfiando na terra. O que restou de um arm\\xe1rio, de um estrado velho de cama, esquecidos e servindo de poleiro para as galinhas. Uma lasca de cano de pl\\xe1stico jogado ao l\\xe9u, j\\xe1 com ind\\xedcios de seu lento processo de decomposi\\xe7\\xe3o. Cacos de l\\xe2mpada quebrada no bocal. Quando foi a \\xfaltima vez, eu me perguntava, que aquela l\\xe2mpada estivera acesa a iluminar a porta de entrada daquela casa? O \\xf4nibus parou num ponto ao lado de um carro. Que carro era aquele? Seria o mesmo que passara o \\xf4nibus e n\\xe3o consegui identificar a marca? Cham\\xe1-lo de autom\\xf3vel seria um exagero. Parecia mais um arremedo de partes de v\\xe1rios carros a compor um tipo ex\\xf3tico de transporte. Cap\\xf4 de outro modelo que se encaixava for\\xe7ado naquele; para-lamas diferentes um do outro sobre pneus carecas; a traseira sem a tampa do motor, talvez para arrefecer o aquecimento dos pist\\xf5es e bielas com a validade vencida h\\xe1 s\\xe9culos. E a ferrugem a corroer tudo, como num claro sinal de que, a seu tempo, acabaria por vencer aquela teimosia absurda. Era como um retrato cruel do desafio \\xe0 resist\\xeancia das pe\\xe7as mec\\xe2nicas. A impress\\xe3o que eu tinha, olhando ao redor e vendo toda aquela precariedade na chegada do Campestre, era como se por ali, num futuro pr\\xf3ximo, tudo tendesse ao fracasso, \\xe0 extin\\xe7\\xe3o. Por\\xe9m, pensei, um fracasso que jamais aniquila, que n\\xe3o se realiza, que n\\xe3o chega; um fracasso que sempre se desloca para frente. Se dependesse, para o meu sustento, do modo como se perpetuavam os carros, os caminh\\xf5es dos feirantes, as pe\\xe7as, tanto eu com a reposi\\xe7\\xe3o dos meus m\\xedseros parafusos, quanto quem dependesse da renova\\xe7\\xe3o da frota automobil\\xedstica brasileira, desde j\\xe1 dever\\xedamos decretar fal\\xeancia. Assim como os cachorros que eu via da janela do \\xf4nibus, deitados nas soleiras das casas, nunca eram de ra\\xe7a \u2014 e sim leg\\xedtimos vira-latas \u2014, tamb\\xe9m os carros, pensei comigo, eram carros vira-latas. E as casas, estampando descaradamente a mistura de sobras e desmanches de outras constru\\xe7\\xf5es, eram casas vira-latas. Como se algo aut\\xf4nomo fosse se juntando por si s\\xf3, e a pr\\xf3pria for\\xe7a dos restos galvanizasse as paredes. Mas era assim, pensei tamb\\xe9m, que se iam resolvendo as quest\\xf5es do ir vivendo, do ir tocando a vida, da melhor maneira poss\\xedvel. Como se mais que isso n\\xe3o fosse necess\\xe1rio. Mais que isso, um desejar do outro, vazio, fora de cogita\\xe7\\xe3o. Havia exce\\xe7\\xf5es, claro, como as casas antigas avarandadas com seus arcos de uma \\xe9poca colonial, que se intercalavam com as casas simples ao longo da estrada, e que me faziam lembrar da ch\\xe1cara de Jovan. E quanto mais nos aproxim\\xe1vamos da vila, mais os espa\\xe7os iam se comprimindo, se amontoando. Naquele trecho, quase n\\xe3o se via mais quintais. Sobre as casas, agora, telhas de amianto no lugar das telhas avermelhadas de cer\\xe2mica. Na encosta, ao lado esquerdo da estrada, vistas de cima, podia se vislumbrar o imp\\xe9rio das lajes, pontuado aqui e ali pela cor azul escura do arredondado das caixas d\u2019\\xe1gua, a compor com as antenas parab\\xf3licas. Sequer uma camada de massa fina a cobrir as paredes, sequer uma \\xfanica m\\xe3o de cal sobre os blocos, como se assim, as casas pusessem a nu, os ossos, numa crueza s\\xf3rdida. Olhando para essas casas, \u201Ccasas simples\u201D como caixas de cimento, que me fizeram lembrar a m\\xfasica de Vin\\xedcius: \u201Ccasas simples, com cadeiras na cal\\xe7ada...\u201D. Senti, de repente eu senti, uma estranha sensa\\xe7\\xe3o. Talvez, reavivada pelos meus anos de inf\\xe2ncia, quando meus pais lutavam com dificuldade para criar os filhos; ou porque toda aquela ambi\\xeancia do lugar tornasse vis\\xedvel e palp\\xe1vel uma simplicidade r\\xfastica e sincera do viver. Tudo ali a desvelar a consist\\xeancia do que \\xe9 apenas o necess\\xe1rio, o essencial para a vida, sem a superficialidade dos enfeites, dos adornos. \\xc1gua sem espuma, eu pensei, o viver reduzido ao que \\xe9 b\\xe1sico e que, por alguma raz\\xe3o, ali, naquele \\xf4nibus, me sensibilizava. Algo que eu perdera h\\xe1 muito, e de um jeito irrecuper\\xe1vel. Foi inevit\\xe1vel me lembrar, anos atr\\xe1s, da inaugura\\xe7\\xe3o de um enorme shopping center pr\\xf3ximo de casa, festejado na m\\xeddia como o grande acontecimento da cidade. Lica, minha filha, praticamente me arrastara para conhecer. Vidros azuis espelhados; arcos gigantescos de m\\xe1rmore de Carrara, dignos de um templo romano; piso vitrificado e a supremacia do consumo a refletir nas vitrines das lojas e a replicar nas nossas imagens, atrav\\xe9s da profus\\xe3o das luzes. Enfim, dois mundos completamente opostos, de latitudes desmedidas. Mas, se fosse para escolher entre um mundo e o outro, qual dos mundos, desses dois mundos, eu escolheria? Ora: qual eu escolheria, sendo sincero? Diante da vida que estava levando com os parafusos, com a separa\\xe7\\xe3o de M\\xf4nica, com o dinheiro contado e a preocupa\\xe7\\xe3o com as filhas e a falta de perspectivas? Qual eu escolheria? Todas essas quest\\xf5es pareciam diminu\\xeddas, relativizadas diante do que via pela janela. E fiquei surpreso, confesso, por me ver ali, naquele \\xf4nibus, a me fazer tal pergunta. \",/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C\"})]})});export const richText3=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C ...\"})}),\" Devi continuou contando, assim como quem ri de si mesmo, que s\\xf3 se lembrou do navio tr\\xeas dias depois da vit\\xf3ria, exatamente no momento em que era expulso do quarto da mulher que, mal sabia ela, viria a se tornar m\\xe3e de seus filhos.\"]}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Contou, interrompendo vez ou outra a hist\\xf3ria para atender ao balc\\xe3o ou preparar outra caipirinha que, na manh\\xe3 em que foi expulso do quarto, acordou com uma ressaca b\\xedblica, entre gritos e objetos que voavam para cima dele, sem que ao menos entendesse o motivo. Uma esp\\xe9cie de tormenta oce\\xe2nica, numa agita\\xe7\\xe3o de coisas que voavam em dire\\xe7\\xe3o \\xe0 sua cabe\\xe7a: sua pr\\xf3pria cal\\xe7a, a cueca, os sapatos. Sem que entendesse o porqu\\xea de tanta gritaria, nem palavras da gritaria, porque da l\\xedngua s\\xf3 sabia falar \u201CPel\\xe9, Tost\\xe3o, Rivelino, Brasil campe\\xe3o\u201D. E as palavras, naquele instante tempestuoso, por mais que as repetisse, j\\xe1 n\\xe3o surtiam efeito. Lembrava-se vagamente de como conhecera a mulher: t\\xe3o alta quanto ele e enrolada apenas numa bandeira verde-amarela. Enlouqueceu enquanto a seguia de perto no asfalto, ela sambando mais \\xe0 frente, ele arriscando enxergar que entre a bandeira e sua pele morena n\\xe3o existia absolutamente nada. Dan\\xe7aram juntos na avenida, at\\xe9 que conseguiu enfiar a m\\xe3o por debaixo da bandeira e ir subindo com candidez de anjo, at\\xe9 constatar o que a intui\\xe7\\xe3o adivinhara, e tocar de leve no centro de um tuf\\xe3o, por onde se enroscou durante os dois dias seguidos, embriagado de prazer, sem que precisasse pronunciar uma s\\xf3 palavra, al\\xe9m de \u201CPel\\xe9, Tost\\xe3o, Rivelino, Brasil campe\\xe3o\u201D. Surpreendendo sempre a morena com a sua disponibilidade ainda engrandecida pela contin\\xeancia for\\xe7ada desde os mares do Norte.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Foi posto na rua sem um dos sapatos, e n\\xe3o sabia como reivindic\\xe1-lo. O carnaval acabara e o navio partira levando o genov\\xeas emputecido. Devi disse que foi melhor assim, pois queria mesmo era voltar para aquelas pernas, o porto mais fervilhante que frequentara e de onde jamais deveria zarpar, custasse o que custasse, nem que para isso tivesse que esperar at\\xe9 a pr\\xf3xima Copa do Mundo.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"*\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Por sorte conheci Devi assim que cheguei ao Brasil. Justamente algu\\xe9m que n\\xe3o nascera no Brasil, mas amava o pa\\xeds como eu buscava amar, como sonhava amar enquanto estive fora. As hist\\xf3rias de Devi, o que elas me fizeram recordar, as perspectivas, principalmente o talento para rir de si mesmo, contribu\\xedram, \\xe9 claro, na decis\\xe3o de mudar o rumo de minha vida. Nossas conversas (com o passar do tempo eu mais falava do que ouvia) come\\xe7aram naquele bar frequentado por viajantes em tr\\xe2nsito, em sua maioria executivos com as suas pastas de couro, os rostos disciplinarmente barbeados, e uma ang\\xfastia revestida com verniz de seguran\\xe7a que eu conhecia bem. Aquele bar, por sua localiza\\xe7\\xe3o, talvez simbolizasse para mim, a um s\\xf3 tempo, a liberdade de partir ou de ficar, e se tornou uma esp\\xe9cie de mirante interior. Foi na mesa onde me sentei pela primeira vez, ocupando as cadeiras feito um posseiro, que decidi escrever sobre a volta ao Brasil. Pensei que escrevendo talvez pudesse compreender melhor as raz\\xf5es que me fizeram deixar a fam\\xedlia para voltar a meu pa\\xeds. Tamb\\xe9m, com tola pretens\\xe3o, talvez escrevendo pudesse satisfazer os questionamentos de Lila, para quem o pai sempre fora uma presen\\xe7a fugidia: algu\\xe9m distante e frio, parco de carinhos e que n\\xe3o se deixava conhecer. Apesar que, naquela mesa, para meu desconsolo, nunca consegui mais do que simples anota\\xe7\\xf5es em guardanapos. Lembro-me: no momento de anotar as ideias, elas pareciam revelar verdades absolutas, mas bastava um dia, apenas um dia, e n\\xe3o me diziam nada. Ent\\xe3o me desfazia das anota\\xe7\\xf5es como quem experimenta um prazer maligno.\\xa0\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Mas a vontade de fazer as anota\\xe7\\xf5es se tornou h\\xe1bito. \\xc9 preciso confessar tamb\\xe9m: devo muito \\xe0 sensibilidade exacerbada pelo \\xe1lcool, amigo e companheiro insepar\\xe1vel que reencontrei no Brasil. O melhor incentivador para que continuasse resistindo.\"}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[\"Naquela mesa decidi que, fosse qual fosse o rumo que minha vida tomasse, precisaria antes aprender a respirar. Reafirmei, para mim mesmo \u2013 embora parecesse absurdo \u2013 que respirar era o verdadeiro motivo para estar voltando. Aprender a respirar, nos meus primeiros meses de Brasil, significava, acima de tudo, aprender a esperar. Esperar que as coisas acontecessem em minha vida naturalmente, sem interfer\\xeancia, sem controle ou dire\\xe7\\xe3o. Sem a ansiedade de ter de fazer o que quer que fosse. Respirar era rever o passado, o que verdadeiramente fora importante para mim e retom\\xe1-lo, como se isso fosse poss\\xedvel, do ponto onde se rompera. Desejei ent\\xe3o procurar por Ramiro ou quem pudesse informar sobre ele. Procurar por Gular, o maior craque que vi jogar do meio de campo para frente, nos campinhos de v\\xe1rzea das redondezas. Queria saber de suas vidas, do que fora feito de seus sonhos, dos nossos sonhos. Respirar, enfim, era um pouco tamb\\xe9m como seu pudesse abra\\xe7ar um passado inacess\\xedvel.\",/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201D\"})]})]});export const richText4=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C ...\"})}),\" Anos atr\\xe1s, quando tomei a decis\\xe3o de me tornar escritor, escolhi alguns textos \u2013 que na \\xe9poca julgava bons \u2013 e, com uma coragem que perdi, fui \\xe0 casa de um artista; um pintor de nome conhecido.\"]}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Ele me recebeu com cortesia. Passamos direto ao seu ateli\\xea; eu ansioso, por\\xe9m preparado para falar do motivo de estar ali com meus textos. Ing\\xeanuo \u2013 hoje sei \u2013 com o meu projeto de vida e de escritor.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"O pouco que consegui falar, confesso, ele quase n\\xe3o ouviu. Estava mais ansioso do que eu para falar. E falou de sua vida, de suas obras, de suas vantagens e desvantagens e de seus problemas que n\\xe3o eram poucos. Dos bastidores das exposi\\xe7\\xf5es, das engrenagens do mercado art\\xedstico, dos marchands, da disputa com outros artistas, da inveja, do \\xf3dio, do alto pre\\xe7o da fama. Eu o ouvia com a m\\xe1xima aten\\xe7\\xe3o (passados tantos anos, seria capaz de repetir suas palavras, recordar o tom de sua voz); enquanto falava, ele pincelava de azul uma enorme tela. Me pareceu o fundo do mar.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Ent\\xe3o imaginei meus textos \u2013 que ficaram esquecidos sobre a mesa \u2013 vagando ao sabor do vento naquela superf\\xedcie azul. E fui me sentindo como um comandante que v\\xea seu navio afundar.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Ele falou de si e preencheu quase toda a tela enquanto estive com ele. Citou principalmente um cr\\xedtico, tamb\\xe9m de nome conhecido, de quem eu n\\xe3o deveria chegar perto, evitando, como disse, assassinar minha pr\\xf3pria carreira.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Passado um m\\xeas ou pouco mais, voltei para saber sua opini\\xe3o sobre os textos. E tudo o que ouvi relacionado a eles foi se eu aceitaria uma x\\xedcara de ch\\xe1.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u2014 Aceita uma x\\xedcara de ch\\xe1?\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Quando ele recome\\xe7ou a falar de sua vida, tentei localizar a tela azul em meio a tantas outras telas em seu ateli\\xea. E ao v\\xea-la, encostada, j\\xe1 esquecida num canto, perdi todas as esperan\\xe7as e expectativas de saber sobre meus textos. E olhando para a tela, imaginando aquele mar, foi que compreendi a frase de um livro antigo, que amo, de um s\\xe1bio chin\\xeas, que ensina:\"}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[\"\u201CSe a \\xe1gua n\\xe3o se acumular suficientemente, desde as profundezas, n\\xe3o ter\\xe1 for\\xe7as para sustentar um grande barco.\u201D\",/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201D\"})]})]});export const richText5=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C ...\"})}),\" Ler! O mais importante \\xe9 ler... Livros, bulas de rem\\xe9dio, portas de banheiro p\\xfablico, WhatsApp, n\\xe3o importa. O importante \\xe9 ler.\"]}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Quem j\\xe1 n\\xe3o ouviu um escritor numa entrevista ou nesses eventos liter\\xe1rios; Flip, Flop, Off Flip, Flap, Flup, et cetera, dizer que a leitura \\xe9 fundamental para a forma\\xe7\\xe3o de um escritor? E n\\xe3o \\xe9? Quem dir\\xe1 que n\\xe3o? Quem discordar\\xe1?\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Se me permitem, vou discordar.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Vivi uma experi\\xeancia logo no in\\xedcio da carreira e que foi mais fundamental para minha forma\\xe7\\xe3o de escritor do que ler. Tanto que ningu\\xe9m, jamais, poder\\xe1 imaginar como eu me sentia, o que passava pela minha cabe\\xe7a, e quanto aprendi, anotei e amadureci profissionalmente, naqueles dias que pedalava a toda velocidade montado em minha bike, por mais de tr\\xeas mil quil\\xf4metros, de volta para casa. A esse acontecimento t\\xe3o marcante em minha vida e que me transformou no escritor que sou hoje, recluso, avesso a entrevistas e aos meandros do mundo liter\\xe1rio, dei o nome de Meu dia de S\\xe3o Galo.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"O que fiz?\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"O que sempre fa\\xe7o quando batem em mim as indecis\\xf5es: Agachei-me em frente a Plat\\xe3o, de um jeito que fico bem na linha de seus olhos e, olhos nos olhos, tentei captar a mensagem, o sinal. Busquei ler a resposta cifrada, como verdade absoluta.\\xa0\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Plat\\xe3o \u2013 do alto de sua sabedoria \u2013 devolvia-me apenas seu olhar canino, vazio de sentidos, de significados. Como se dissesse: l\\xe1 vem voc\\xea, outra vez, com suas literatices de merda!\"}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[\"Eu precisava decidir o caminho. Na verdade, confesso, j\\xe1 decidira (honestidade com os leitores! \u2013 ouvi, certa vez, de um escritor e n\\xe3o me lembro se numa feira ou bienal do livro). Mas o consentimento de Plat\\xe3o era para mim como se os deuses, sabe-se l\\xe1 de que olimpo liter\\xe1rio, aben\\xe7oassem a escolha e prontamente se colocassem \\xe0 disposi\\xe7\\xe3o para a longa jornada que eu teria pela frente. Porque, com certeza, iria precisar de b\\xean\\xe7\\xe3o e prote\\xe7\\xe3o. Para quem, como eu, que decidira se tornar escritor, contar, naquele in\\xedcio de carreira, com certos sinais; contar com o imponder\\xe1vel, o transcendente, aprender a considerar, por exemplo, o \",/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:\"talvez\"}),\" de um editor como sendo uma resposta favor\\xe1vel para a publica\\xe7\\xe3o de um livro, era tudo.\"]}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Minha ideia, ali\\xe1s como as boas ideias, era simples. Prova disso, \\xe9 que podia ser resumida num par\\xe1grafo:\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Ir do Paran\\xe1 a Pernambuco, de bike. Exatamente de Curitiba a Porto de Galinhas, a tempo de participar em julho, daquele ano, da Fliporto \u2013 Festa Liter\\xe1ria Internacional de Porto de Galinhas \u2013 cidade que dava o nome \\xe0 festa.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Tive a ideia enquanto participava da Jornada Nacional de Literatura de Passo Fundo. Havia ido de \\xf4nibus. Mas se tivesse ido do Paran\\xe1 ao Rio Grande do Sul, de bicicleta, talvez (e o talvez, para mim, era tudo) eu me fizesse notar. Para quem come\\xe7ava na profiss\\xe3o, eu acreditava, era um jeito de buscar um lugar ao sol. Se eu chegasse ao evento montado em minha bike, vindo de Curitiba, e conseguisse chamar a aten\\xe7\\xe3o para o fato, deixaria de ser mais um na multid\\xe3o de escritores desconhecidos que disputavam assento no audit\\xf3rio, com originais debaixo do bra\\xe7o, para ouvir escritores conhecidos falar de obras desconhecidas. Enfim, era essa (confesso) a minha ideia: Aparecer!\"}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[\"Plat\\xe3o abanou o rabo e piscou para mim. Suas pupilas, lembro-me, ficaram dilatadas. Por um instante, do escuro de seus olhos, vi surgir a minha cor, igual \\xe0 cor dos oceanos e t\\xe3o cara para mim. Seria, nos seus olhos, o mesmo azul profundo a me confirmar algo? O mesmo azul que me ajudara, tempos atr\\xe1s, a decidir o caminho da primeira longa viagem de bike que eu fizera, e que agora ao refletirem a cor aprovavam a minha escolha? \",/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201D\"})]})]});export const richText6=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C ...\"})}),\" \u201CA arte de praticar a simplicidade.\"]}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Uma das formas de se exercitar e praticar a simplicidade \\xe9 n\\xe3o criar expectativas antes dos eventos, n\\xe3o complicar as coisas durante os acontecimentos e n\\xe3o remoer algo que j\\xe1 passou. Em s\\xedntese: n\\xe3o viver premeditando com expectativas aumentadas. Solucionar as coisas com objetividade, sem complicar, acrescentar, inventar, evitando transformar uma coisa simples em algo absolutamente complexo e insol\\xfavel. Quem se prende ao passado desperdi\\xe7a o presente e, por conseguinte, compromete o amanh\\xe3. A mem\\xf3ria que temos do passado n\\xe3o deve significar apego ao vivido. A antevis\\xe3o do futuro n\\xe3o deve implicar fantasiar o amanh\\xe3. Viver o presente significa n\\xe3o complicar o hoje.\u201D\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"N\\xe3o \\xe9 espantoso que, ao reler esse cap\\xedtulo sobre Daniel e Mila, escrito h\\xe1 tantos anos, deparei-me entre rascunhos e folhas soltas sobre a minha mesa, com a cita\\xe7\\xe3o acima que anotei poucas noites atr\\xe1s, enquanto ouvia Mahler e tomava um gole de u\\xedsque? A cita\\xe7\\xe3o que copiei de um livro taoista que havia retirado ao acaso da estante? N\\xe3o \\xe9 espantoso?\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Enquanto relia o cap\\xedtulo lembrei-me dela. Interrompi a leitura. Procurei pela cita\\xe7\\xe3o sobre a mesa e a li atentamente. E me esforcei para lembrar das tantas conversas que tivemos, Daniel e eu, na \\xe9poca em que frequentava o Mirante, naqueles anos em que eu escrevia o meu primeiro livro. Por dificuldades de toda ordem e por puro acaso, ele nunca foi publicado. Um dos temas do livro era a chegada da vida adulta e os consequentes enfrentamentos do mundo do trabalho e onde as inquieta\\xe7\\xf5es confessadas por Daniel e, claro, n\\xe3o tinha como ser de outro jeito, somadas \\xe0s minhas inquieta\\xe7\\xf5es daquela \\xe9poca, a um s\\xf3 tempo enriqueciam, mas tamb\\xe9m contaminavam o livro. Talvez tenha sido esse um dos motivos principais, hoje reflito, que me levaram a n\\xe3o persistir com o projeto. Depois de ter colocado o ponto final nele, quase em seguida, n\\xe3o sei se por fuga ou inseguran\\xe7a com o resultado, comecei imediatamente a escrever um novo livro. Mas, o que me causou espanto, foi a coincid\\xeancia m\\xe1gica que me levou a anotar, noites atr\\xe1s, num momento bom, a cita\\xe7\\xe3o acima, assim como uma esp\\xe9cie de guia para o que vivo nos dias de hoje. E que me remete ao que li neste cap\\xedtulo de Daniel e Mila, escrito h\\xe1 tantos anos!\"}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[\"S\\xe3o os acasos, eu creio. S\\xe3o os sinais que a natureza emite, que insistem para que, vez ou outra, eu sinta vontade de reler trechos do livro. Se n\\xe3o, por que manteria os originais na gaveta at\\xe9 hoje? Tamb\\xe9m por isso, com certeza, me pegue durante a leitura de uma passagem ou outra, questionando a decis\\xe3o tomada h\\xe1 muitos anos atr\\xe1s: a de jamais public\\xe1-lo.\",/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201D\"})]})]});export const richText7=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u201C ... De volta a Londres, Jasper Gwyn transcorreu os primeiros dias caminhando pelas ruas da cidade de maneira prolongada e obsessiva, com a deliciosa convic\\xe7\\xe3o de ter se tornado invis\\xedvel. J\\xe1 que havia parado de escrever, em seu \\xe2mago tinha tamb\\xe9m deixado de ser um personagem p\\xfablico \u2014 n\\xe3o havia raz\\xe3o para que as pessoas o notassem, agora que se tornara de novo um qualquer. Come\\xe7ou a se vestir sem cuidado, e voltou a fazer muitas pequenas coisas sem a preocupa\\xe7\\xe3o de estar apresent\\xe1vel no caso de ser repentinamente reconhecido por um leitor. A postura que assumia no balc\\xe3o do pub, por exemplo. Andar de \\xf4nibus sem pagar. Comer sozinho no McDonald's. De vez em quando algu\\xe9m o reconhecia, e ele ent\\xe3o negava ser quem era.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" Havia um monte de outras coisas das quais n\\xe3o precisava mais se ocupar. Era como um daqueles cavalos que, tendo derrubado o j\\xf3quei, refazem o trajeto, distra\\xeddos, em trote mi\\xfado, enquanto os outros ainda se esfalfam perseguindo uma meta e uma ordem de chegada qualquer. A del\\xedcia de tal estado de esp\\xedrito era infinita. Quando lhe acontecia topar com um artigo de jornal ou uma vitrine de livraria que lhe recordavam a luta da qual acabava de se retirar, sentia o cora\\xe7\\xe3o ficar leve, e respirava uma embriaguez infantil de s\\xe1bado \\xe0 tarde. Fazia anos que n\\xe3o se sentia t\\xe3o bem.\u201D\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText8=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C...\"})}),' Se eu fosse um escritor, escreveu Montaigne \u2013 embora n\\xe3o fique claro se ele se considerava mais ou menos do que um \u2013, \"eu criaria um comp\\xeandio sobre as diferentes maneiras de que um homem tem de morrer. (Qualquer pessoa que ensinasse os homens a morrer os estaria ensinando a viver.) Dicearco escreveu um livro com esse t\\xedtulo, mas por outro motivo, menos \\xfatil.\"']}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[\"Dicearco era um fil\\xf3sofo peripat\\xe9tico, e o livro dele, \",/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:\"The Perishing of Human Life\"}),' (O perecer da vida humana), n\\xe3o sobreviveu, o que n\\xe3o deixa de ser apropriado. A vers\\xe3o curta da antologia de Montaigne seria uma cole\\xe7\\xe3o de \\xfaltimas palavras famosas. Hegel, em seu leito de morte, disse \"Apenas um homem me compreendeu\", e depois acrescentou \"e ele n\\xe3o me compreendeu\". Emily Dickinson disse: \"Preciso entrar. A neblina est\\xe1 aumentando.\" O fil\\xf3logo P\\xe8re Bouhours disse: ',/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:\"\\\"Je vas, ou je vais mourir: l'un ou l'autre se dit.\\\"\"}),' (Livremente: \"Em breve eu vou, ou em breve eu irei morrer: ambos est\\xe3o corretos.\") \\xc0s vezes, uma \\xfaltima palavra pode ser um \\xfaltimo gesto: o de Mozart foi imitar o som dos t\\xedmpanos no seu ',/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:\"R\\xe9quiem\"}),\", cuja partitura inacabada estava aberta em sua cama.\"]}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[\"Estes momentos s\\xe3o provas de morrer permanecendo fiel ao personagem? Ou existe algo intrinsecamente suspeito neles: algo de \",/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:\"release\"}),\" para a imprensa, de comunicado para a Associated Press, de improviso preparado? Quando eu tinha dezesseis ou dezessete anos, nosso professor de ingl\\xeas \u2013 n\\xe3o o que mais tarde se matou, mas aquele com o qual estudamos o \",/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:\"Rei Lear\"}),' e aprendemos que \"Maturidade \\xe9 tudo\" \u2013 disse \\xe0 turma, com acentuado toque de presun\\xe7\\xe3o, que ele j\\xe1 tinha escrito suas \\xfaltimas palavras: ou melhor, palavra. Ele estava planejando dizer simplesmente: \"Dane-se!\"']}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:['Este professor tinha sido sempre c\\xe9tico a meu respeito. \"Espero, Barnes\", ele disse um dia, depois de uma aula pouco satisfat\\xf3ria, ',/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:\"\u201C\"}),\"que voc\\xea n\\xe3o seja um desses malditos c\\xednicos de \\xfaltima fileira.\u201D Eu, senhor? C\\xednico, senhor? N\\xe3o \u2013 eu acredito em carneirinhos balindo e sebes em flor e bondade humana, senhor. Mas mesmo assim achei esta despedida planejada bem elegante, assim como Alex Brilliant. N\\xf3s ficamos: a) impressionados com a verve; b) surpresos por o babaca desse professor possuir um alto grau de autoconhecimento; e c) decididos a n\\xe3o viver nossas vidas de modo a chegar a esta mesma conclus\\xe3o verbal. Espero que Alex j\\xe1 tivesse se esquecido disso quando se matou, por causa de uma mulher, dez anos depois.\"]}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[\"Mais ou menos na mesma \\xe9poca, por uma estranha coincid\\xeancia social, soube que fim tinha levado este professor. Ele sofrera um derrame que o deixou paral\\xedtico e sem fala. De vez em quando, recebia a visita de um amigo alco\\xf3latra que \u2013 acreditando, como acontece com os alco\\xf3latras, que todo mundo se sente bem melhor quando bebe \u2013 costumava contrabandear uma garrafa para dentro da casa de sa\\xfade e despej\\xe1-la na boca do velho professor, que olhava para ele de olhos arregalados. Ser\\xe1 que houve tempo para dizer aquela \\xfaltima palavra antes de sofrer o derrame, ou ele pensava nela enquanto derramavam bebida por sua goela abaixo? Isso \\xe9 suficiente para transformar voc\\xea num maldito c\\xednico de \\xfaltima fileira. \",/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:'\"'})})]})]});export const richText9=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u201C... Johannes passou de amorosa e delicada figura paterna a rude e b\\xe1rbaro algoz, com altern\\xe2ncias humor. Come\\xe7ou a aparecer uma crespa rusticidade nos gestos. Os cabelos e barba densos cresciam na mesma medida. Passava repentinamente da tranquilidade \\xe0 agita\\xe7\\xe3o. Ficou encerrado no quarto v\\xe1rios dias, at\\xe9 que resolveu levar Maria, Rita e os cachorros para passear no jardim. Com cuidado p\\xf4s coleiras com longas correntes nos pesco\\xe7os das jovens e dos animais.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" As irm\\xe3s, felizes de estar pela primeira vez fora de casa, respirando o perfume e sentindo na pele o sol que j\\xe1 desaparecia aos poucos, n\\xe3o se incomodam em estar presas a correntes. Andavam tranquilas, atadas a uma m\\xe3o forte, que as mantinha assim, como duas brancas gar\\xe7as presas para n\\xe3o voar. Mesmo se pudessem, n\\xe3o teriam voado naquele momento, tal era a do\\xe7ura que sentiam no ar e a paz que lhes vinha com a brisa suave e calma que aos poucos foi se transformando.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" Um vento seguido de fortes rajadas trouxe repentinamente a tempestade e o rumor do mar distante que se fazia ouvir.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" O c\\xe9u tornou-se rapidamente negro, iluminado por raios que o cortam. Ca\\xeda uma forte chuva. Apesar de encharcados e dos ganidos e pux\\xf5es dos c\\xe3es assustados, caminharam vagarosamente at\\xe9 a casa.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" N\\xe3o havia empregados neste domingo. Subiram aos quartos onde Johannes, removendo-lhes as coleiras, ordenou que tirassem as roupas molhadas. N\\xe3o se moveram. Tomado pela f\\xfaria que o acometia nos \\xfaltimos tempos, arrancou-lhes a roupa do corpo. Quando as viu nuas pela primeira vez, absolutamente id\\xeanticas, foi tomado por uma vertigem que o obrigou a sentar-se, olhando para as m\\xe3os tr\\xeamulas como se as visse tamb\\xe9m nuas e pela primeira vez.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" As duas jovens continuavam em p\\xe9, olhando para fora, onde a tormenta aumentava. Estavam calmas e esperavam. Johannes mandou que se deitam na imensa cama e, sentado frente \\xe0 lareira, ali ficou por muito tempo, at\\xe9 amainar o temporal.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" Maria e Rita j\\xe1 dormiam, de m\\xe3os dadas. Chegou-se \\xe0 cama e olhou longamente os corpos deitados. Eram magras, muito brancas, s\\xf3 se diferenciavam pela cor dos cabelos. Cobriu-as e deitou-se no sof\\xe1, onde ficou bebendo at\\xe9 dormir.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" Ao amanhecer teve um sonho curto e violento. Sua mulher o olhava e ria. Um riso luciferino. Subiu em seu corpo e, ainda rindo, cavalgou sobre ele e fez com que a penetrasse. Quando olhou para o rosto da mulher, eram as duas cabe\\xe7as das g\\xeameas, assim como Janus, viradas para lados opostos. Acordou com o seu pr\\xf3prio grito de terror.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" Foi at\\xe9 a cama e, com inusitada selvageria, possuiu primeiro uma, depois a outra, e assim continuou at\\xe9 chegar ao ponto de exaust\\xe3o, quando adormeceu pesadamente.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" As duas virgens deitadas, silenciosas, se abra\\xe7aram em um longo e amoroso encontro. Beijavam-se, encontrando uma o corpo da outra, quando o prazer surgiu pela primeira vez. E o amor era t\\xe3o grande, e tamanha a do\\xe7ura de suas car\\xedcias, que, sem falar, planejaram juntas, em pensamento, o que sucedeu depois.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" Sem pronunciar palavra, trancaram os c\\xe3es no banheiro, vestiram os quimonos brancos e muito vagarosamente, sem nenhum sobressalto, cobriram com um travesseiro o rosto do homem que agora era s\\xf3 um corpo.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" Enquanto Rita segurava com for\\xe7a o travesseiro, Maria, com uma navalha retirada da sala de banho, cortou, num golpe certeiro, a jugular de lado a lado do pesco\\xe7o. N\\xe3o houve muita luta. Ficou ali sangrando, feito imenso boi esquartejado.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" Movimentando-se como em c\\xe2mera lenta, retiraram os quimonos encharcados de sangue, e os deitaram sobre o corpo, onde foram se transformando em pesado vermelho, que agora inundava a cama inteira.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" Lavaram-se e vestiram suas velhas roupas. Desceram a longa escadaria sem fazer ru\\xeddo e em poucos segundos j\\xe1 estavam do lado de fora, onde o dia come\\xe7ava a clarear, l\\xedmpido e fresco depois da tormenta da noite passada.  Caminharam em dire\\xe7\\xe3o ao convento, que n\\xe3o era longe dali. Ao chegarem, perguntaram por Madre Edith, e lhe contaram tudo em poucas palavras. A Madre nada disse, s\\xf3 aproximou-se do crucifixo, ajoelhou-se, e assim ficou por longo tempo.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" As irm\\xe3s permaneceram em p\\xe9. Esperando. Sempre esperando. Depois, encaminhadas a uma cela, dormiram longamente.\u201D\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText10=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:'\"...'}),\" Usufruo da minha petul\\xe2ncia, do meu falso poder e autoridade enquanto escritor para falar do que desconhe\\xe7o. Mas que me encanta. (E, se n\\xe3o quiserem ouvir minhas pobres explica\\xe7\\xf5es, azar dos senhores. Eu ganhei o Nobel, \\xe9 meu direito falar a asneira que desejar.) No Jap\\xe3o, h\\xe1 v\\xe1rias categorias honrosas de seppuku: o conhecido suic\\xeddio ritual. Sens\\xedvel \\xe0s diversas manifesta\\xe7\\xf5es de autoexterm\\xednio, a l\\xedngua japonesa apresenta muitos termos para formas espec\\xedficas de shi, ou morte. Shinj\u016B \\xe9 a palavra po\\xe9tica usada para o suic\\xeddio fruto de um pacto entre amantes. Roshi refere-se \\xe0 morte por velhice, enquanto gokuraku-ojo \\xe9 a morte de uma mulher causada pelo prazer de rela\\xe7\\xf5es sexuais prolongadas. Senshi \\xe9 a morte na guerra; junshi designa o suic\\xeddio de um guerreiro que segue e louva seu senhor at\\xe9 as profundezas da sepultura.\"]}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \\xa0 \\xa0 \\xa0 \\xa0 Senhores nip\\xf4nicos, a morte ressoa um apogeu po\\xe9tico da vida.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \\xa0 \\xa0 \\xa0 \\xa0 Eu me fascino pela literatura e pela filmografia que corrompem o haraquiri impetrado pelos samurais adeptos da arte do Bushido. Tamb\\xe9m me emociona a morte-ritual realizada pelos kamikazes, que se mataram como armas e m\\xedsseis humanos ignorantes, em nome do imperador. Minha literatura \\xe9 a c\\xf3pia ipsis litteris do jisei \u2014 poema sobre a morte ou o \u201Cadeus \\xe0 vida\u201D deixado pelos apaixonados suicidas.\"}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[\" \\xa0 \\xa0 \\xa0 \\xa0 (Ainda me lembro com vol\\xfapia da visita ao Jap\\xe3o. Ap\\xf3s uma s\\xe9rie de palestras que realizei em algumas universidades, pedi para que me levassem ao submundo. L\\xe1 me deliciei com as desonrosas gueixas contempor\\xe2neas, com as bonecas sem vida e com as casas de car\\xedcias e massagens. Eu, que sempre fui avesso a jogos eletr\\xf4nicos, gastei todo o meu cach\\xea nas m\\xe1quinas que vendiam roupas \\xedntimas e usadas das ninfetas japonesas. Que del\\xedcia aquele odor de sashimi nas lingeries \u2014 essa \\xe9 a minha verdadeira madeleine. Acreditem \u2014 e sintam a fragr\\xe2ncia das raparigas e cerejeiras em flor \u2014, senhores: estou trajando uma dessas calcinhas. Virou meu objeto de sorte. Do Jap\\xe3o, conservo o aroma e o sabor das mulheres que nunca vi.)\",/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:'\"'})})]}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\\xa0\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText11=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u201C... Sou um homem doente... Sou um homem despeitado. Sou um homem desagrad\\xe1vel. Creio que sofro do f\\xedgado. Ali\\xe1s, n\\xe3o entendo absolutamente nada de minha doen\\xe7a, nem sei ao certo do que sofro. N\\xe3o me trato e nunca me tratei, embora respeite a medicina e os m\\xe9dicos. Al\\xe9m disso, sou extremamente supersticioso; o suficiente, em todo caso, para respeitar a medicina. (Tenho bastante instru\\xe7\\xe3o para n\\xe3o ser supersticioso, mas sou.) N\\xe3o, n\\xe3o quero tratar-me, por despeito. Com certeza n\\xe3o vos dignareis compreend\\xea-lo. Mas eu compreendo. Est\\xe1 claro que n\\xe3o vos posso explicar a quem, precisamente, estou prejudicando, nessa situa\\xe7\\xe3o, com o meu despeito: sei perfeitamente que n\\xe3o causo dano aos m\\xe9dicos por deixar de consult\\xe1-los; percebo melhor do que ningu\\xe9m que com tudo isso o \\xfanico a sair perdendo sou eu. Mas, seja como for, se n\\xe3o me trato \\xe9 por despeito. Meu f\\xedgado est\\xe1 mal, pois que piore!\u201C\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText12=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u201C... Assim, contra todo bom senso, seria preciso abrir os pres\\xeddios, soltando cada prisioneiro, qualquer que tenha sido o seu crime, em nome do direito a uma quota de metros quadrados \\xe0 volta de cada um. Nosso passo deve permanecer livre, desgovernado, perdido \u2013 deve poder perder-se sempre, e mesmo quem foi violento e recebe agora a carga fria e organizada da viol\\xeancia coletiva deve ter direito a passos falsos, a gestos inexplic\\xe1veis, deve poder espregui\\xe7ar-se, girar a cintura para tr\\xe1s sem motivo aparente. E preciso renunciar \\xe0 compress\\xe3o f\\xedsica como castigo. A pr\\xf3pria gin\\xe1stica, a repeti\\xe7\\xe3o mec\\xe2nica de gestos estranhos, o alongamento obsessivo do corpo, como uma goma, at\\xe9 que alcance posi\\xe7\\xf5es improv\\xe1veis como os p\\xe9s atr\\xe1s da nuca, ou o enrijecimento progressivo da cadeia muscular atrav\\xe9s do levantamento de pesos, das flex\\xf5es infind\\xe1veis, s\\xe3o todos express\\xf5es interiorizadas de um enorme castigo e desconforto, que voluntariamente subscrevemos. Punimos nossa am\\xe1vel paralisia, o abandono de nossos membros \\xe0 in\\xe9rcia com uma industriosidade gestual\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"simplesmente hist\\xe9rica. E se fazemos isto conosco voluntariamente, imagine com aqueles que devem ser punidos. Estes s\\xe3o tratados pior do que galinhas enjauladas, amontoados atr\\xe1s das barras como sacos vazios sem mist\\xe9rio e sem vida pregressa, rostos inexpressivos que quanto mais parecem fundidos ao an\\xf4nimo coletivo mais acabam singularizando-se do \\xfanico modo que lhes restou: pelas feridas, cicatrizes, tatuagens, pelo inexplic\\xe1vel de suas express\\xf5es faciais. \u201C\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText13=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C... \"})}),'Coisa bem diferente teria sido a vida para ambos se tivessem sabido a tempo que era mais f\\xe1cil contornar as grandes cat\\xe1strofes matrimoniais do que as mis\\xe9rias min\\xfasculas de cada dia. Mas se alguma coisa haviam aprendido juntos era que a sabedoria nos chega quando j\\xe1 n\\xe3o serve para nada. Fermina Daza tinha ag\\xfcentado com m\\xe1 vontade o jubiloso amanhecer do marido. Agarrava-se aos \\xfaltimos fios de sono para n\\xe3o enfrentar o fatalismo de uma nova manh\\xe3 de press\\xe1gios sinistros, enquanto ele despertava com a inoc\\xeancia de um rec\\xe9m-nascido: cada novo dia era um dia a mais que se ganhava. Ouvia-o despertar com os galos, e seu primeiro sinal de vida era uma tosse sem som nem tom que parecia de prop\\xf3sito para que ela tamb\\xe9m despertasse. Ouvia-o resmungar, s\\xf3 para inquiet\\xe1-la, enquanto tateava em busca dos chinelos que deviam estar junto da cama. Ouvia-o buscar caminho at\\xe9 o banheiro aos trope\\xe7os pela escurid\\xe3o. Ao cabo de uma hora no escrit\\xf3rio, quando ela havia dormido de novo, ouvia-o voltar para se vestir, ainda sem acender a luz. Certa vez, num jogo de sal\\xe3o, lhe perguntaram como se definia a si mesmo, e ele tinha dito: \"Sou um homem que se veste no escuro.\" Ela ouvia sabendo muito bem que nenhum daqueles ru\\xeddos era indispens\\xe1vel, e que ele os fazia de prop\\xf3sito fingindo o contr\\xe1rio, assim como estava ela acordada fingindo que n\\xe3o. Os motivos dele eram certos: nunca precisava tanto dela, viva e l\\xfacida, como nesses momentos de confus\\xe3o.']}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:'N\\xe3o havia ningu\\xe9m mais elegante do que ela para dormir, com uma postura de dan\\xe7a e a m\\xe3o sobre a testa, mas tamb\\xe9m n\\xe3o havia ningu\\xe9m mais feroz quando lhe perturbavam a sensa\\xe7\\xe3o de se crer adormecida quando j\\xe1 n\\xe3o estava. O doutor Urbino sabia que ela permanecia ligada ao menor ru\\xeddo que ele fizesse, e que inclusive teria agradecido a ele, para ter em quem botar a culpa de acord\\xe1-la \\xe0s cinco da manh\\xe3. Tanto era assim que nas poucas ocasi\\xf5es em que tinha de tatear nas trevas por n\\xe3o encontrar os chinelos no lugar de sempre, ela dizia logo numa voz de quem est\\xe1 entre dois sonhos: \"Voc\\xea deixou os chinelos no banheiro ontem \\xe0 noite.\" Em seguida, com a voz desperta de raiva, amaldi\\xe7oava:'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u2014 A pior desgra\\xe7a desta casa \\xe9 que n\\xe3o se pode dormir.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Ent\\xe3o rolava na cama, acendia a luz sem a menor clem\\xeancia para consigo mesma, feliz com sua primeira vit\\xf3ria do dia. No fundo era um jogo de ambos, m\\xedtico e perverso, mas por isso mesmo reconfortante: um dos muitos prazeres perigosos do amor dom\\xe9stico. Mas foi por causa de um desses brinquedos triviais que os primeiros trinta anos de vida em comum estiveram a ponto de se acabar porque um certo dia faltou sabonete no banheiro.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Come\\xe7ou com a simplicidade da rotina. O doutor Juvenal Urbino tinha voltado ao quarto, nos tempos em que ainda tomava banho sem ajuda, e come\\xe7ou a se vestir sem acender a luz. Ela estava como sempre a essa hora em seu morno estado fetal, os olhos fechados, a respira\\xe7\\xe3o t\\xeanue, e aquele bra\\xe7o de dan\\xe7a sagrada sobre a cabe\\xe7a. Mas estava meio desperta, como sempre, e ele estava sabendo. Depois de longos rumores de linhos engomados na escurid\\xe3o, O doutor Urbino falou consigo mesmo:\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u2014 Faz uma semana que estou tomando banho sem sabonete \u2013 disse.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Ent\\xe3o ela acabou de acordar, lembrou, e rolou de raiva contra o mundo, porque na verdade tinha esquecido de substituir o sabonete no banheiro. Tinha notado a falta tr\\xeas dias antes, quando j\\xe1 estava debaixo do chuveiro, e pensou em botar o sabonete depois, mas esqueceu o assunto at\\xe9 o dia seguinte. No terceiro dia tinha ocorrido o mesmo. Para dizer a verdade, n\\xe3o tinha se passado uma semana, como ele dizia para lhe agravar a culpa, e sim tr\\xeas dias imperdo\\xe1veis, e a f\\xfaria de ser apanhada em falta acabou de enraivec\\xea-la. Como de costume, se defendeu atacando.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u2014 Pois tenho tomado banho todo o santo dia \u2014 gritou fora de si \u2014 e sempre tem havido sabonete.\"}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[\"Embora ele conhecesse de sobra seus m\\xe9todos de guerra, desta vez n\\xe3o p\\xf4de suport\\xe1-los. Foi morar a um pretexto profissional qualquer nos quartos de internos do Hospital da Miseric\\xf3rdia, e s\\xf3 aparecia em casa para trocar de roupa ao entardecer antes das consultas a domic\\xedlio. Ela para a cozinha quando o ouvia chegar, fingindo qualquer afazer, e ali permanecia at\\xe9 escutar vindos da rua os passos dos cavalos do carro. Cada vez que procuraram resolver a disc\\xf3rdia nos tr\\xeas meses seguintes, s\\xf3 conseguiram ati\\xe7\\xe1-la. Ele n\\xe3o se dispunha a voltar enquanto ela n\\xe3o admitisse que n\\xe3o havia sabonete no banheiro, e ela n\\xe3o se dispunha a receb\\xea-lo enquanto ele n\\xe3o reconhecesse ter mentido de prop\\xf3sito para atorment\\xe1-la\",/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\". \"})}),/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C\"})]})]});export const richText14=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u201C ... O Professor Antolini ficou uns dois minutos em sil\\xeancio. Levantou-se, apanhou outro peda\\xe7o de gelo, deixou cair no copo e a\\xed sentou de novo. Via-se que ele estava pensando. Fiquei torcendo para que ele deixasse a conversa para outro dia, em vez de continuar naquela hora, mas ele estava embalado. Em geral as pessoas se esquentam numa discuss\\xe3o na hora que a gente est\\xe1 mais frio.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \u2014 Est\\xe1 bem. Agora, escuta aqui um momento... Pode ser que eu n\\xe3o consiga expressar isso t\\xe3o bem quanto eu gostaria, mas escrevo uma carta para voc\\xea amanh\\xe3 ou depois explicando tudo. A\\xed voc\\xea vai entender direitinho. De qualquer maneira presta aten\\xe7\\xe3o agora.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" Come\\xe7ou a se concentrar outra vez, e a\\xed disse:\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \u2014 Esta queda para a qual voc\\xea est\\xe1 caminhando \\xe9 um tipo especial de queda, um tipo horr\\xedvel. O homem que cai n\\xe3o consegue nem mesmo ouvir ou sentir o baque do seu corpo no fundo. Apenas cai e cai. A coisa toda se aplica aos homens que, num momento ou outro de suas vidas, procuram alguma coisa que seu pr\\xf3prio meio n\\xe3o lhes podia proporcionar. Ou que pensavam que seu pr\\xf3prio meio n\\xe3o lhes poderia proporcionar. Por isso, abandonam a busca. Abandonam a busca antes mesmo de come\\xe7\\xe1-la de verdade. T\\xe1 me entendendo?\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \u2014 Sim, senhor.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \u2014 Est\\xe1 mesmo?\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \u2014 Estou sim.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" Levantou-se e despejou mais um pouco de bebida no copo. A\\xed se sentou de novo. Ficou um bocado de tempo sem dizer nada.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \u2014 N\\xe3o quero te assustar \u2014 ele disse \u2014 mas vejo voc\\xea, com toda a clareza, morrendo nobremente, de uma forma ou de outra por uma causa qualquer absolutamente indigna.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" Me olhou de um jeito engra\\xe7ado.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \u2014 Se eu escrever umas palavras para voc\\xea, promete que vai ler cuidadosamente? E guardar?\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \u2014 Prometo, sim \u2014 respondi. E era verdade. At\\xe9 hoje guardo o papel que ele me deu.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" Foi at\\xe9 a escrivaninha, no outro lado da sala, e escreveu alguma coisa num peda\\xe7o de papel, sem se sentar. A\\xed voltou e se sentou, com o papel na m\\xe3o.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \u2014 Por estranho que pare\\xe7a, isso n\\xe3o foi escrito por um poeta. Foi escrito por um psicanalista chamado Wilhelm Stekel. Aqui est\\xe1 o que ele... Voc\\xea ainda est\\xe1 me ouvindo?\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \u2014 Claro que estou.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:' \u2014 Aqui est\\xe1 o que ele disse: \"A caracter\\xedstica do homem imaturo \\xe9 aspirar a morrer nobremente por uma causa, enquanto a caracter\\xedstica do homem maduro \\xe9 querer viver humildemente por uma causa\".'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText15=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u201C ... A aldeia encheu-se de um tremor de gemidos inacredit\\xe1veis, onde se afirmou, numa vez \\xfaltima, a virilidade daqueles que a j\\xe1 n\\xe3o exercitavam h\\xe1 algum tempo, a lubrifica\\xe7\\xe3o sexual de toda a velharada no ranger mais que descompassado de in\\xfameras e incontadas camas, ranger esse que n\\xe3o parou a tarde inteira, passando a no\\xe7\\xe3o de que os velhos se divertiam com a evid\\xeancia auditiva dos seus comportamentos e, por isso mesmo, se revezavam nos seus vaiv\\xe9ns de modo a que o sil\\xeancio n\\xe3o se tivesse podido impor durante horas sem frio.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" O som da madeira alternou-se com o barulho estrondoso de duas camas que se partiram, na simult\\xe2nea liberta\\xe7\\xe3o de dois verdadeiros urros. A viv\\xeancia sexual tinha sido t\\xe3o intensa, a requisi\\xe7\\xe3o que as velhas fizeram aos seus corpos e m\\xfasculos fora t\\xe3o elevada, que ambas vi\\xfavas demoraram a extens\\xe3o de toda a tarde e in\\xedcio da noite para declarar ao mundo e a si pr\\xf3prias o passamento dos seus maridos no cumprimento exacerbado da fun\\xe7\\xe3o sexual. E os dois homens, repousando ainda sobre as doloridas madeiras escarpadas no ch\\xe3o, haveriam de ser enterrados com os mesmos sorrisos perversos com que foram encontrados.  Nas ruas, as pr\\xe1ticas eram id\\xeanticas. As burras zurravam na intensidade das ere\\xe7\\xf5es daqueles burros impar\\xe1veis, que andavam de burra em burra saciando as suas f\\xe1licas admoesta\\xe7\\xf5es. No campo a\\xe9reo, o mesmo: pombo com andorinha, andorinho com pomba, morcega com pardal, pardala com cuco, e outros eventuais cruzamentos havidos.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" Menos sorte teve a galinha. Ao chegar a casa, o lavrador procurou a j\\xe1 habitual cabra com quem mantinha rela\\xe7\\xf5es afetuosas e periodicamente sexuais. N\\xe3o satisfeito com o resultado, quem sabe, conduzido unicamente pelo forte instinto que tantas vezes anula a raz\\xe3o, foi tamb\\xe9m \\xe0 primeira porca que lhe apareceu, e sobremeseou-se ainda com a esquel\\xe9tica galinha que, meio adormecida, se sentiu vigorosamente penetrada pelo membro humano.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" Um galo furioso atacou o lavrador no pesco\\xe7o, mas as bicadas do galin\\xe1ceo pareciam apenas potenciar a excita\\xe7\\xe3o do violador que, no paroxismo da sua testicular urg\\xeancia, berrava inchando as suas veias pescocinas:\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \u2014 Ent\\xe3ooo...? Ent\\xe3ooooo?... N\\xe3o dizes nada?!... Ahnnnnnn!?... Nem dizes nada?!...\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \u2014 Piuuuuu... piuuuuuuuuuuuuuuuuuuu... \u2014 gemeu a galinha.\u201D\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText16=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u201C ... E tudo isso acontecia em um trecho da cidade de quatro quarteir\\xf5es que era mais japon\\xeas que o vilarejo que deix\\xe1ramos para tr\\xe1s no Jap\\xe3o. Se fechar os olhos n\\xe3o vou nem saber que estou vivendo em uma terra estrangeira.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:' Sempre que deix\\xe1vamos as J-towns para nos aventurar por entre as ruas largas e limpas das cidades deles, tent\\xe1vamos n\\xe3o chamar aten\\xe7\\xe3o. Nos vest\\xedamos como eles se vestiam. And\\xe1vamos como eles andavam. Faz\\xedamos quest\\xe3o de n\\xe3o andar em grupos grandes. N\\xf3s nos faz\\xedamos pequenas para eles \u2014 Se voc\\xea ficar no seu lugar, eles a deixar\\xe3o em paz \u2014 e tent\\xe1vamos ao m\\xe1ximo n\\xe3o ofender. Mesmo assim, implicavam conosco. Os homens davam tapas nas costas de nossos maridos e gritavam \"Peld\\xe3o!\" ao derrubar o chap\\xe9u deles. As crian\\xe7as jogavam pedras em nossa dire\\xe7\\xe3o. Os gar\\xe7ons sempre nos serviam por \\xfaltimo. Os lanterninhas sempre nos levavam para cima, nas sacadas do segundo andar dos teatros, e sempre indicavam os piores lugares da casa. O para\\xedso dos negros, eles diziam. Os barbeiros se recusavam a cortar nossos cabelos. Duros demais para nossas tesouras. As mulheres pediam para sairmos da frente dos carros sempre que est\\xe1vamos muito pr\\xf3ximos. \"Desculpe\u201D, diz\\xedamos, dando um passo para o lado com um sorriso no rosto. Porque a \\xfanica maneira de resistir, como ensinaram nossos maridos, era n\\xe3o resistindo. Na maior parte do tempo, no entanto, permanec\\xedamos em casa, nas J-towns, onde nos sent\\xedamos em seguran\\xe7a no meio do nosso povo. Aprend\\xedamos a viver a certa dist\\xe2ncia deles, e os evit\\xe1vamos sempre que poss\\xedvel.'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" Um dia, promet\\xedamos a n\\xf3s mesmas, ir\\xedamos deix\\xe1-los para tr\\xe1s. Ir\\xedamos trabalhar duro e juntar dinheiro suficiente para ir para outro lugar. Argentina, talvez. Ou M\\xe9xico. Talvez S\\xe3o Paulo, no Brasil. Ou Harbin, na Manch\\xfaria, onde nossos maridos tinham dito que um japon\\xeas podia viver como um pr\\xedncipe.\u201D\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText17=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u201C...N\\xe3o precisa para isto querer conquistar a Am\\xe9rica, ou conversar com as aves \u2013 como S. Francisco de Assis. Um verdureiro na esquina pode manifestar esta chama santa da loucura, se ele gostar do que faz. \\xc1gape existe al\\xe9m dos conceitos humanos, e \\xe9 contagioso, por que o mundo tem sede dele. Petrus me disse que eu sabia despertar \\xc1gape, atrav\\xe9s do Globo Azul. Mas para que \\xc1gape pudesse florescer, eu n\\xe3o podia ter medo de mudar minha vida. Se eu gostava do que estava fazendo, muito bem. Mas se n\\xe3o gostava, sempre havia tempo de mudar. Permitindo que acontecesse uma mudan\\xe7a, eu estava me transformando num terreno f\\xe9rtil e deixando que a Imagina\\xe7\\xe3o Criadora lan\\xe7asse sementes em mim. \u2014Tudo que lhe ensinei, inclusive \\xc1gape, s\\xf3 faz sentido se voc\\xea estiver satisfeito consigo mesmo. Se isto n\\xe3o tiver acontecendo, os exerc\\xedcios que voc\\xea aprendeu v\\xe3o lev\\xe1-lo inevitavelmente ao desejo de uma mudan\\xe7a. E para que todos\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"os exerc\\xedcios que foram aprendidos n\\xe3o se voltam contra voc\\xea, \\xe9 necess\\xe1rio permitir que uma mudan\\xe7a aconte\\xe7a. 'Este \\xe9 o momento mais dif\\xedcil da vida de um homem. Quando ele v\\xea o Bom Combate, e se sente incapaz de mudar de vida e ir combater. Se isto acontecer o conhecimento se voltar\\xe1 contra quem o possui. Olhei a cidade de Foncebadon. Talvez aquelas pessoas todas, coletivamente, tivessem sentido esta necessidade de mudar. Perguntei se Petrus tinha escolhido aquele cen\\xe1rio, propositadamente, para me dizer isto. \u2014 N\\xe3o sei o que se passou aqui \u2014 respondeu. \u2014 Muitas vezes as pessoas s\\xe3o obrigadas a aceitar uma mudan\\xe7a provocada pelo destino, e n\\xe3o \\xe9 disto que estou falando. Estou falando de um ato de vontade, um desejo concreto de lutar contra tudo aquilo que n\\xe3o lhe deixa satisfeito no seu dia-a-dia. \u201C\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText18=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:'\u201C ... \"Relendo\", disse ele, \"me dei conta que aquilo n\\xe3o passava de um angu empelotado de tentativas de espelhar sintaticamente o jogo. Tinha a frase-trivela, a elipse da vaca, a goleada adverbial de modo, a retranca cabralina, o futebol total p\\xf3s-moderno. Tudo a servi\\xe7o da demonstra\\xe7\\xe3o ensa\\xedstica de uma tese sutil, que seria coisa de g\\xeanio se n\\xe3o fosse, convenhamos, completamente asnal: a do paralelo entre futebol e prosa de fic\\xe7\\xe3o. A prosa realista anglo-sax\\xf4nica correspondendo a um jogo de poucos toques em \\xe2ngulos retos, em velocidade, at\\xe9 chegar \\xe0 linha de fundo e cruzar a bola para cabeceadores implac\\xe1veis cravarem ela no gol. Sempre assim e sempre eficaz, pelo menos at\\xe9 ficar previs\\xedvel e f\\xe1cil de marcar. Hammett e Hemingway, atacantes da sele\\xe7\\xe3o da l\\xedngua inglesa. E depois o futebol indo ganhar o mundo, desbravar um oceano de estilos alternativos que nasceram como resposta \\xe0quela economia de meios t\\xe3o severa. \\xc9 a\\xed que entra a prosa po\\xe9tico-picaresca de Garrincha, que filtrava a realidade em gags de filme mudo. A\\xed que entram os estranhos cortes epistemol\\xf3gicos de Cruyff. O modernismo tipo arco do Alvorada de um lan\\xe7amento do G\\xe9rson, o realismo m\\xe1gico de Maradona. O mon\\xf3logo interior sinuoso de Di St\\xe9fano, o expressionismo de um Pusk\\xe1s ou um Heleno, o quase dandismo nabokoviano de estilistas como Didi, Falc\\xe3o e Zidane. Isso para n\\xe3o falar no entretenimento leve e inteligente de tantos jogadores que foram esquecidos, mas n\\xe3o pelo meu livro. No meu livro reviviam todos, s\\xf3 que o meu livro era uma merda. O fracasso de uma vida. Perceber isso quase me matou, Neto. Tiritei de febre entre a vida e a morte por duas semanas. Foram duas semanas, n\\xe3o foram, Ui? Ou tr\\xeas?\" \u201D'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText19=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u201C ... Lembrei-me nestes momentos de uma hist\\xf3ria que a minha m\\xe3e costumava contar-me a respeito do meu pai. Eu nunca o conhecera. Tudo o que sabia de preciso a respeito deste homem era talvez o que a minha m\\xe3e ent\\xe3o me dizia: fora assistir \\xe0 execu\\xe7\\xe3o de um assassino. A ideia de ir punha-o doente. Mas n\\xe3o deixara de ir, e \\xe0 volta vomitara durante quase todo o dia. Isto o diminu\\xeda, a meu ver. Agora, por\\xe9m, compreendia-o, a rea\\xe7\\xe3o era t\\xe3o natural... Como n\\xe3o percebera eu que n\\xe3o havia nada mais importante do que uma execu\\xe7\\xe3o capital e que, sob um determinado ponto de vista, era mesmo a \\xfanica coisa verdadeiramente interessante para um homem?! Se por acaso sa\\xedsse da pris\\xe3o, iria assistir a todas as execu\\xe7\\xf5es capitais. Fazia mal, julgo eu, em pensar nesta possibilidade. Pois \\xe0 ideia de me ver livre uma destas manh\\xe3s, atr\\xe1s de um cord\\xe3o de pol\\xedcias e, do outro lado, \\xe0 ideia de ser o espectador que veio assistir, uma onda de alegria envenenada me subia ao cora\\xe7\\xe3o. Mas n\\xe3o era razo\\xe1vel. Andava mal em abandonar-me a estas suposi\\xe7\\xf5es porque, uns instantes depois, vinha-me um frio t\\xe3o horr\\xedvel, que tinha que me encolher debaixo dos cobertores e batia os dentes sem conseguir dominar-me.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" Evidentemente, nem sempre nos podemos manter razo\\xe1veis. Outras vezes, por exemplo, fazia projetos de lei. Reforma Aos castigos a aplicar. Observara j\\xe1 que o essencial era dar ao condenado uma oportunidade. Para as coisas correrem melhor, bastava uma sobre mil. Parecia-me, por conseguinte, que se podia obter um composto qu\\xedmico cuja absor\\xe7\\xe3o mataria o paciente nove vezes em dez. Este estaria a par de tal possibilidade. Porque, pensando bem, considerando as coisas com calma, verificava que o que havia de defeituoso na guilhotina era n\\xe3o existir nenhuma possibilidade de salva\\xe7\\xe3o, absolutamente nenhuma. A morte do paciente, em suma, era decidida de uma vez para sempre. Era um caso arrumado, uma combina\\xe7\\xe3o que n\\xe3o mais se podia desfazer, um acordo resolvido e sobre o qual n\\xe3o se podia voltar atr\\xe1s. Se, por exce\\xe7\\xe3o, o maquinismo falhava, recome\\xe7ava-se do princ\\xedpio. Como consequ\\xeancia, o aborrecido \\xe9 que isto levava o condenado a desejar o bom funcionamento da m\\xe1quina. Digo que \\xe9 o lado defeituoso da coisa. O que, num determinado sentido, \\xe9 verdade. Mas, por outro lado, via-me obrigado a reconhecer que residia a\\xed todo o segredo da boa organiza\\xe7\\xe3o. Numa palavra, o condenado sentia-se obrigado a colaborar moralmente. Era do seu interesse que tudo marchasse sem empenos.\u201C\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText20=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C...\"})}),/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\" \"}),\"Nos \\xfaltimos vinte anos o pai foi acompanhando sempre que p\\xf4de o avan\\xe7o da tecnologia para estimular o filho, come\\xe7ando pela televis\\xe3o, desde crian\\xe7a. E, sub-repticiamente, a tentativa de acompanhar o menino exerceu tamb\\xe9m uma influ\\xeancia inversa, a do filho sobre ele, tamb\\xe9m um pai com permanente dificuldade para a vida adulta madura, seja isso o que for, ele pensa, sorrindo \u2013 e talvez a filha, que n\\xe3o tem nada com isso, sofra as consequ\\xeancias de ter um pai que se recusa a crescer. Anos depois, ele imagina, tudo pode ser desenhado claramente, com uma boa teoria na m\\xe3o, mas na vida real n\\xe3o temos tempo para pensar em nada. O tempo presente \\xe9 um tatear no escuro, o pai se desculpa.\"]}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Mas h\\xe1 crit\\xe9rios objetivos, ele imagina \u2013 \\xe9 preciso manter a crian\\xe7a permanentemente exposta \\xe0 linguagem. Televis\\xe3o. Um estalo na cabe\\xe7a: \\xe9 simples. Algu\\xe9m que viu uma televis\\xe3o em preto-e-branco pela primeira vez aos 8 anos de idade e que passou toda a sua forma\\xe7\\xe3o de juventude detestando aquela caixa, detestando novelas, detestando notici\\xe1rios, e que acreditou piamente ser a Rede Globo a m\\xe3e de todos os males do pa\\xeds, figura tenebrosa a fazer dos ent\\xe3o noventa milh\\xf5es de habitantes uma massa inerte de rob\\xf4s idiotas repetindo tudo que viam e ouviam, agora enfim compraria uma televis\\xe3o. Foi uma entrega prazerosa, total, completa, sob o \\xe1libi do filho que precisava de est\\xedmulos. Mergulhou no mundo fascinante da imagem descart\\xe1vel com a vol\\xfapia de um devasso. Televis\\xe3o, primeiro; em seguida, um videocassete, dos primeiros modelos, um tijola\\xe7o comprado ainda num cons\\xf3rcio de 36 meses \u2013 para que as crian\\xe7as vejam desenhos animados estimulantes e repetidos \\xe0 exaust\\xe3o, desculpava-se ele. As crian\\xe7as querem ver sempre o mesmo desenho animado, querem ouvir sempre a mesma hist\\xf3ria, milhares de vezes, ele se espanta. A menina sabe de cor todas as hist\\xf3rias, que repete para o irm\\xe3o, a um tempo presente e ausente, e teatraliza situa\\xe7\\xf5es familiares em que ela \\xe9 a m\\xe3e e ele o filho. Como todas as crian\\xe7as do mundo em situa\\xe7\\xf5es semelhantes, a imita\\xe7\\xe3o \\xe9 a for\\xe7a motora de tudo que se cria, o pai sup\\xf5e, sempre inseguro no seu trabalho de escritor. Mas, ele pensa, felizmente vive distante mil anos-luz da vida liter\\xe1ria nacional, refugiado no sil\\xeancio denso da prov\\xedncia, o que o preserva, tamb\\xe9m ele autista, do que imagina ser uma triste, angustiante e agressiva mediocridade, contra a qual ele sente que precisa controlar o sopro de um discreto ressentimento, motor de todos os que fazem arte, isto \\xe9, que fazem aquilo que, por princ\\xedpio, n\\xe3o interessa a ningu\\xe9m. Bem, pelo menos esta arte que eu fa\\xe7o, a literatura, ele concede, enquanto v\\xea m\\xfasicos na televis\\xe3o que interessam profundamente, o tempo todo, a milh\\xf5es de pessoas.\"}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[\"Passa alguns anos \u2013 ele se culpa, ainda no Templo das Sete Confiss\\xf5es \u2013 mais preocupado consigo mesmo do que com os filhos, todo aquele tempo de escrita e reescrita de livros que n\\xe3o existem, que n\\xe3o se publicam, que, publicados, n\\xe3o s\\xe3o lidos, e que enfim n\\xe3o vendem nada, numa inexist\\xeancia poderosa e asfixiante. Os livros s\\xe3o diferentes uns dos outros, mas ele parece n\\xe3o aprender nada com a experi\\xeancia, movendo-se em c\\xedrculos, ele mesmo uma express\\xe3o ampliada do seu filho, envolto sempre no pr\\xf3prio labirinto. \\xc9 um projeto art\\xedstico, ou um projeto terap\\xeautico? \u2013 ele se pergunta \\xe0s vezes, caneta \\xe0 m\\xe3o, diante da p\\xe1gina em branco. A teimosia: \\xe9 um homem teimoso. Disfar\\xe7a o orgulho descomunal de suas qualidades imagin\\xe1rias com um jeito bonach\\xe3o de quem parece ser igual a todo mundo. Lentamente come\\xe7a a se ver como express\\xe3o passiva de um projeto existencial que est\\xe1 em alguma outra parte, desenhado por algu\\xe9m que n\\xe3o ele. Talvez eu esteja a servi\\xe7o de alguma coisa falsa, um secreto diamante de vidro de que sou v\\xedtima. O que n\\xe3o seria \u2013 ele admite, assustado \u2013 de todo mau. Escrevendo, pode descobrir alguma coisa, mas sem confundir \u2013 isso o escritor percebeu logo \u2013 a vida e a escrita, entidades diferentes que devem manter uma rela\\xe7\\xe3o respeitosa e n\\xe3o muito \\xedntima. S\\xf3 sou interessante se me transformo em escrita, o que me destr\\xf3i sem deixar rastro, ele imagina, sorrindo, antevendo algum crime perfeito. Ningu\\xe9m descobrir\\xe1 nada, ele enfim sonha, oculto em algum ref\\xfagio da inf\\xe2ncia. \",/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C\"})]}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText21=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C... \"})}),\"Com o dinheiro ganho em San Juan del Rio, deu para percorrer caminhos mais longos. Dionisio mergulhou no caminho de Zacatecas, onde sabia que apostavam pesado. O homem que havia sido seu padrinho convidou-se para ir junto; mas Dionisio Pinz\\xf3n preferiu ir sozinho, pois o pouco tempo em que esteve com ele serviu para ver que, embora seus conselhos pudessem ser \\xfateis, era um homem que procurava tirar vantagem apenas em seu pr\\xf3prio proveito. Dali para a frente, o que ganhasse seria s\\xf3 para ele.\"]}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Durante algum tempo, sabe Deus por que povoados andou. Mas o fato \\xe9 que quando chegou a Aguascalientes, para a feira de San Marcos, seu galo ainda estava vivo, e Dionisio j\\xe1 se vestia de outro modo: de luto, como continuaria se vestindo o resto da vida.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Nunca antes havia estado em Aguascalientes. Estava animado pelos melhores prop\\xf3sitos, pois ia ver se o seu galo valia mesmo, diante dos finos animais que eram levados at\\xe9 l\\xe1. S\\xf3 eram admitidos \u2013 assim rezava o regulamento \u2013 galos de Brava Linhagem, chamados desse jeito porque s\\xe3o os primeiros a atacar, e de Linhagem Suprema, que s\\xe3o brigadores constantes, d\\xe3o golpes decisivos e mostram coragem at\\xe9 os \\xfaltimos instantes de vida.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Dionisio Pinz\\xf3n ia provar se contava com um galo desses ou se, ao contr\\xe1rio, caso se visse diante de um animal da sua mesma condi\\xe7\\xe3o e \\xedmpeto, seu galo ia baixar a crista.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:'Inscreveu-o na \"Mochiller\" do segundo dia das brigas de galos. (Chamam de \"Mochiller\" o primeiro galo que disputa a aposta, e, para distingui-lo dos outros, a luta \\xe9 aberta com maior quantidade de dinheiro.)'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Ali em Aguascalientes topou de novo com o padrinho de San Juan del R\\xedo. Desta vez, o homem parecia disposto a aconselh\\xe1-lo, pois n\\xe3o achava que Dionisio Pinz\\xf3n fosse uma boa carta contra os verdadeiros e experientes galeiros da feira de San Marcos. E n\\xe3o era s\\xf3 isso: na primeira oportunidade que tiveram de se falar, o padrinho disse:\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u2014 Para voc\\xea, o melhor seria estar perambulando pelos povoados com esse galo rab\\xe3o; aqui v\\xe3o te depenar.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u2014 \\xc9 que eu n\\xe3o tenho nada a perder. N\\xe3o foi o que o senhor me disse?\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u2014 Os poucos milhares de pesos que voc\\xea pode ter ganhado nessas andan\\xe7as... Al\\xe9m do mais, lembre-se de que a sorte n\\xe3o anda em lombo de burro.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u2014 Por isso mesmo n\\xe3o quis andar com o senhor \u2014 disse Dionisio Pinz\\xf3n. E se separaram para sempre.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Quando ainda se ouviam os aplausos do p\\xfablico da rinha para atua\\xe7\\xe3o das cantadoras, e depois que o apresentador tinha anunciado o come\\xe7o das brigas daquela tarde, Dionisio Pinz\\xf3n viu-se acareando seu dourado com um galo puba e gambeteiro, ouviu o montante das apostas; viu como, pouco a pouco, iam se acumulando em favor do seu advers\\xe1rio e, apesar de os revides ca\\xedrem a granel, talvez apostados por um p\\xfablico desinteressado ou desconhecedor, sentiu um pouco de medo. Quando notou que o soltador do galo advers\\xe1rio espertava o bicho irritando-o com batidas na cabe\\xe7a, sentiu que ia ganhar a briga: seu dourado, acostumado ao bom trato, sabia jogar limpo e abater com facilidade os valent\\xf5es.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"E assim foi. O outro fazia firulas, mas o dourado n\\xe3o se interessou pela cabe\\xe7a movedi\\xe7a do advers\\xe1rio: ao contr\\xe1rio, procurava atacar de lado, navalha contra navalha, dando saltos contra o peito e puxando-o com as patas, enquanto o outro corcoveava com a cabe\\xe7a como um lutador de boxe, tentando fazer fintas, mas deixava o corpo quase im\\xf3vel. Foi ali, na anca, que o dourado enterrou a navalha, tombando o rival, que ficou escarrapachado procurando onde cravar o bico.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u2014 Golpe final! gritou o apresentador. \u2014 Nochistl\\xe1n perdeu! Todo mundo contente! Aaa-bram as portas!\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Na cadeia de Celaya\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"andei preso sem delito,\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"por uma flor infeliz,\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"bicada pelo meu passarinho;\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"mentira, n\\xe3o fiz nada\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"ela j\\xe1 tinha o seu buraquinho...\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \"}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[\"Aquela can\\xe7\\xe3o alvoro\\xe7ada das cantadoras, que rompeu murm\\xfario e a tens\\xe3o da rinha, teve um gostinho de gl\\xf3ria para Dionisio Pinz\\xf3n, que recolheu o seu galo salpicado de sangue, mas inteiro, e outra vez sem nenhuma ferida. \",/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C\"})]}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText22=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u201C ... Parado no seu lugar de costume, perto da parede, o barqueiro a observava com aten\\xe7\\xe3o.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:' \"O senhor falou de seu dever de interrogar todo casal que esteja esperando para fazer a travessia\", Beatrice continuou. \"Falou da necessidade de descobrir se o v\\xednculo de amor entre os dois \\xe9 forte o bastante para permitir que eles morem juntos na ilha. Bem, senhor, eu fiquei pensando sobre isso. Que tipo de perguntas o senhor faz para descobrir o que precisa?\"'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:' Por um momento, o barqueiro pareceu hesitar. Depois, disse: \u201CPara ser franco, boa senhora, n\\xe3o me cabe falar sobre esses assuntos. Na verdade, nem dever\\xedamos ter nos encontrado hoje, mas algum curioso acaso nos uniu e n\\xe3o lamento que isso tenha acontecido. Os senhores foram bondosos e ficaram do meu lado, e eu lhes sou grato por isso. Ent\\xe3o, vou responder da melhor forma que me for poss\\xedvel. Como a senhora disse, \\xe9 meu dever interrogar todos que desejem fazer a travessia at\\xe9 a ilha. Se \\xe9 um casal tal como a senhora falou, que acredita que o v\\xednculo entre eles \\xe9 forte o bastante, tenho que pedir a cada um deles que me relate suas lembran\\xe7as mais caras. Eu pe\\xe7o a um e depois ao outro que fa\\xe7a isso. Eles t\\xeam que falar separadamente. Dessa forma, a verdadeira natureza do v\\xednculo que existe entre o casal logo se revela\".'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:' \"Mas n\\xe3o \\xe9 dif\\xedcil, senhor, ver o que realmente h\\xe1 no cora\\xe7\\xe3o das pessoas?\", perguntou Beatrice. \"As apar\\xeancias enganam com tanta facilidade.\"'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:' \"\\xc9 verdade, boa senhora, mas n\\xf3s, barqueiros, j\\xe1 vimos tantos viajantes ao longo dos anos que n\\xe3o demoramos muito a perceber o que est\\xe1 por tr\\xe1s das apar\\xeancias. Al\\xe9m disso, quando os viajantes falam de suas lembran\\xe7as mais caras, \\xe9 imposs\\xedvel para eles ocultar a verdade. Um casal pode declarar estar unido por amor, mas n\\xf3s, barqueiros, podemos ver em vez disso ressentimento,'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:'raiva e at\\xe9 \\xf3dio. Ou um enorme vazio. \\xc0s vezes, s\\xf3 o medo da solid\\xe3o e mais nada. Um amor infinito, que resistiu \\xe0 passagem dos anos, isso n\\xf3s s\\xf3 encontramos raramente. E quando encontramos, temos enorme prazer em transportar o casal junto. Boa senhora, j\\xe1 falei mais do que devia.\"'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:' \"Eu te agrade\\xe7o por isso, barqueiro. Era s\\xf3 para satisfazer a curiosidade de uma velha. Agora n\\xf3s vamos deix\\xe1-lo em paz.\u201D'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:' \"Que voc\\xeas tenham uma boa viagem.\u201D \u201D'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText23=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u201C... Tamb\\xe9m \\xe9 verdade que a mem\\xf3ria \\xe0s vezes lhe chega como uma voz. \\xc9 uma voz que fala dentro dele, e n\\xe3o \\xe9 necessariamente a dele mesmo. Fala da maneira como uma voz contaria hist\\xf3rias a uma crian\\xe7a, e no entanto essa voz \\xe0s vezes zomba dele, ou o repreende, ou o amaldi\\xe7oa em termos precisos. \\xc0s vezes ela propositadamente distorce a hist\\xf3ria que lhe est\\xe1 contando, alterando os fatos como melhor lhe parece, servindo mais aos interesses do drama que aos da verdade. Ent\\xe3o ele precisa falar com ela com sua pr\\xf3pria voz e mand\\xe1-la parar, para que assim retorne ao sil\\xeancio de onde veio. Outras, ela canta para ele. Em outras ocasi\\xf5es, ainda, sussurra. E depois h\\xe1 vezes em que ela meramente zumbe, ou balbucia, ou grita de dor. E mesmo quando nada diz, ele sabe que continua ali, e no sil\\xeancio dessa voz que nada diz ele espera que ela fale.\u201C\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText24=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u201C... Amanh\\xe3, ent\\xe3o. Tinha pelo menos um lugar no mundo de que ela n\\xe3o queria mais nada: o das falsas gentilezas, o das afinidades fuleiras, o de onde vinham amanh\\xe3 visitas em f\\xe9rias, amigas preferidas, primeiros namorados. Sem que ela quisesse nem pudesse. Amanh\\xe3. Normal. Pois hoje era organizar o tempo que sobrava e mat\\xe1-lo em fios de ovos; e esperar, pronta como o bolo, para receber tudo o que se quis um dia amizade e amor. Embora acontecesse de n\\xe3o ter precis\\xe3o nenhuma. Embora acontecesse que, n\\xe3o havia d\\xfavida: uma mulher olhava para outra antes com vaga inveja. Embora acontecesse que n\\xe3o haveria bolo que adocicasse. Tinha das dedicat\\xf3rias ruins, errantes. Todas as mulheres mais bonitas que ela podiam ter o cabelo escorrido das iaras \u2013 iaras s\\xf3 enganavam homens, que viviam bestando \\xe0 beira das \\xe1guas. Enquanto as mulheres se faziam pra todo\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"mundo querer ser, e pra todo mundo namorar. E numa mesquinharia da pior esp\\xe9cie. Que ela tinha tamb\\xe9m. Tinha. \u2014 Ein, Levi? ela perguntou ao marido entretido no trabalho. Sabia que tinha. E tinha das cumplicidades odiosas que mulheres teciam de uma pra outra. Ali\\xe1s, amizade com mulheres por pouco n\\xe3o se tornara a mais insuport\\xe1vel das coisas que j\\xe1 vivera. Ali\\xe1s, era entre mulheres que a vida corria descaradamente mesquinha \u2013 a mesquinhez que a vida tinha de se constituir ponto por ponto, pouco a pouco, de carreira a carreira do tric\\xf4 na beleza da blusa final. Uma mulher olhava pra outra antes com vaga inveja. Reservara-se um destino de sil\\xeancio onde jamais uma mulher se sentisse perdoada: olha que o bicho te pega, olha que o bicho te come. As mulheres que... que \\xe0s vezes morriam de parto, n\\xe3o morriam? Morriam de parto, ent\\xe3o. Ou degoladas pelos homens. N\\xe3o era? Morriam degoladas pelos homens, pelo amor todo que elas lhes davam ou n\\xe3o lhes davam. Sim. \u2014 Ein, Levi? \u2014 Ein o qu\\xea? ele disse sem olhar. \u2014 Nada. Nada de mesmo. Que ele seria rude e impaciente, falando de quando as pedras se encontram, quanto mais as criaturas. Ela ent\\xe3o fez de conta que nada vezes nada. Uma prova de zeros circunspectos, silenciosos...\u201C\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText25=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u201C... P**** n\\xe3o gosta muito de encontros informais, sobretudo estes com quinze pessoas que se re\\xfanem para n\\xe3o fazer nada, talvez dar umas risadas, relaxar um pouco e com certeza perder muito tempo. No caso, inclusive, ele achou dispens\\xe1vel at\\xe9 mesmo a confraterniza\\xe7\\xe3o de despedida. Os diretores presentes, com certeza mortos de inveja (do b\\xf4nus ningu\\xe9m sabe ainda, nem mesmo o pr\\xf3prio P**** teve tempo de conferir o valor), o abra\\xe7aram o mais r\\xe1pido que podiam, alguns desejando boa sorte, e logo foram para as pequenas rodinhas perto das bebidas. Apenas o Paulo, que com aquela idade j\\xe1 n\\xe3o tem muitas pretens\\xf5es no banco, procurou puxar um pouco de conversa, refor\\xe7ando a ideia do tal livro, quem sabe nos momentos de descanso na China. p**** fez que sim com a\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"cabe\\xe7a, garantindo que vai mesmo escrev\\xea-lo, e pediu para que os dois se afastassem um pouco Olha, agora que eu estou deixando o banco no Brasil (provavelmente para nunca mais voltar), vou te falar com toda sinceridade: se voc\\xea n\\xe3o demitir aquele filho da puta do God\\xf3i, aquele diretor que trabalha com voc\\xea, mais cedo ou mais tarde, e a bem da verdade ele j\\xe1 deve ter feito isso, o cara vai te trair. Mas a conversa teve que ser interrompida porque o amigo Paul, voltando, queria falar algumas palavras. Essas mesmas que os vice-presidentes j\\xe1 esperavam. Depois, um por um, eles abra\\xe7aram de novo o P**** e os mais seguros at\\xe9 deram no colega alguns tapinhas nas costas. Como a dor estava exatamente abaixo do ombro direito, os cumprimentos reca\\xedam todos sobre ela. Ao contr\\xe1rio do que muita gente pode pensar, isso n\\xe3o traz nenhum sofrimento para o P****. Depois de alguns tapas, de qualquer intensidade, a dor apenas se torna um calombo enrijecido e perde por algumas horas a mobilidade. S\\xf3 isso, nem melhor, nem pior. Antes de sair, o amigo Paul ainda recomendou, de brincadeira, que o P**** tomasse cuidado com o sal. Afinal de contas, agora ele \\xe9 um dos principais nomes do banco no mando inteiro. Um frio na espinha percorreu as costas do P****, mas como a dor havia se transformado em um calombo, bem longe da espinha dorsal, ele p\\xf4de voltar sem nenhum problema para sua sala. Antes de terminar de empacotar as \\xfaltimas coisas, P**** escreveu um e- mail para a secret\\xe1ria, explicando que tinha reavaliado a situa\\xe7\\xe3o profissional dela e que a experi\\xeancia com a reda\\xe7\\xe3o da carta para o Projeto China a havia tornado uma funcion\\xe1ria muito mais sofisticada. Paula devia ficar feliz, pois o banco reconhecia seu valor e tinha decidido mant\\xea-la no cargo. Paula saiu do banco \\xe0s onze horas da manh\\xe3 para nunca mais ver aquele filho da puta na frente. Quando todos os funcion\\xe1rios j\\xe1 tinham retornado do almo\\xe7o, P**** perguntou sobre a secret\\xe1ria, mas ningu\\xe9m sabia dizer onde ela tinha se metido. Enfim, havia chegado o momento de agradecer-lhes, pois sem eles o departamento n\\xe3o teria se tornado fundamental para o banco, e nem t\\xe3o produtivo. P**** deseja boa sorte a todos, explica que por enquanto eles ficar\\xe3o sem um diretor \u2013 ou seja, devem apenas continuar o que est\\xe3o fazendo \u2013 mas j\\xe1 na semana seguinte ter\\xe3o alguma posi\\xe7\\xe3o definitiva sobre isso. Ele n\\xe3o sabe dizer se vir\\xe1 algu\\xe9m de fora ou se o banco vai reestruturar a pr\\xf3pria equipe. P**** apertou a m\\xe3o de um por um e, em sil\\xeancio, caminhou at\\xe9 o elevador. Se o God\\xf3i aparecer, ah, agora sim, ele diz todas as verdades. Sua \\xfanica companhia at\\xe9 a garagem foi uma faxineira, por\\xe9m. Pelo jeito que ela o\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"olhou, com certeza est\\xe1 sabendo da dor nas costas. Mas agora essa gentinha j\\xe1 n\\xe3o tem mais nenhuma import\\xe2ncia para a vida dele. \u201C\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText26=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C... \"})}),\"Escrevo bem devagar. Enquanto me esfor\\xe7o para reconstruir a trama de significados de uma vida, levando em conta acontecimentos e escolhas, tenho a sensa\\xe7\\xe3o de que vou perdendo, na ess\\xeancia, a figura do meu pai. O plano tra\\xe7ado tende a ocupar todo o espa\\xe7o, a ideia vai caminhando sozinha. Por outro lado, se me entrego \\xe0s imagens da mem\\xf3ria, vejo meu pai tal como ele era, o sorriso, o modo como caminhava, n\\xf3s dois no parque de m\\xe3os dadas e o carrossel que me enchia de medo. Desse modo, todos os ind\\xedcios de uma condi\\xe7\\xe3o partilhada com os outros se tornam, para mim, indiferentes. A cada vez, me esfor\\xe7o para escapar da armadilha do ponto de vista individual.\"]}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[\"Naturalmente, n\\xe3o sinto alegria escrevendo este livro, com empenho em me manter o mais perto poss\\xedvel das palavras e das frases ouvidas, que vez ou outra coloco em it\\xe1lico. N\\xe3o busco, com tal recurso, indicar um duplo sentido ao leitor, oferecendo-lhe o prazer da cumplicidade. Recuso essa atitude em todas as suas formas: nostalgia, como\\xe7\\xe3o, ironia. Uso os it\\xe1licos porque essas frases expressam os limites e d\\xe3o o colorido ao mundo em que meu pai viveu e em que eu tamb\\xe9m vivi. Onde nuca se usavam palavras novas para substituir outras...\",/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C\"})]}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \"}),/*#__PURE__*/e(\"h3\",{children:/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"A naturalidade de uma escrita neutra\"})}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \"}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C... \"})}),\"Depois, ao longo do ver\\xe3o, enquanto esperava meu primeiro cargo de professora, pensei: \u201Cum dia terei que explicar todas essas coisas\u201D. Ou seja, terei que escrever sobre meu pai, sobre a vida dele e sobre essa dist\\xe2ncia entre n\\xf3s dois, que teve in\\xedcio em minha adolesc\\xeancia. Uma dist\\xe2ncia de classe, mas bastante singular, que n\\xe3o pode ser nomeada. Como um amor que se quebrou.\"]}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Em seguida, comecei a escrever um romance cujo personagem principal era ele. No meio da narrativa, tive uma sensa\\xe7\\xe3o de mal-estar.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"S\\xf3 h\\xe1 pouco percebi que escrever o romance \\xe9 imposs\\xedvel. Para contar a hist\\xf3ria de uma vida regida pela necessidade, n\\xe3o posso assumir, de sa\\xedda, um ponto de vista art\\xedstico, nem tentar fazer alguma coisa \u201Ccativante\u201D ou \u201Ccomovente\u201D. Vou recolher as falas, os gestos, os gostos do meu pai, os fatos mais marcantes de sua vida, todos os ind\\xedcios objetivos de uma exist\\xeancia que tamb\\xe9m compartilhei.\"}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[\"Nada de mem\\xf3ria po\\xe9tica, nem de ironia grandiloquente. Percebo que come\\xe7a a vir com naturalidade uma escrita neutra, a mesma escrita que eu usava em outros tempos nas cartas que enviava aos meus pais contando as novidades...\",/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C\"})]}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText27=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u201C ... Minhas obras passavam de m\\xe3o em m\\xe3o. Assim conheci B\\xedtov, Maia Dan\\xedni, Rid Gratch\\xf3v, Voskob\\xf3inikov, Le\\xf3nov, Ar\\xf3... Todos eles me tratavam com cordialidade. Da velha gera\\xe7\\xe3o, M\\xe9tter, Gor, Bak\\xednski mostraram interesse por meus contos.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Gr\\xe1nin, um cl\\xe1ssico da nossa literatura, tamb\\xe9m os leu. Depois me convidou para ir a sua datcha. Entabulamos uma conversa ao lado do fog\\xe3o.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u2014 Nada mal \u2014 repetia Daniil Aleks\\xe1ndrovitch, folheando meu manuscrito \u2014, nada mal...\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Atr\\xe1s da parede, ouviam-se passos.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Gr\\xe1nin refletiu um pouco e disse:\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u2014 Mas n\\xe3o \\xe9 public\\xe1vel.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Respondi:\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u2014 Talvez. J\\xe1 n\\xe3o sei de onde os escritores sovi\\xe9ticos v\\xe3o tirar seus temas. Nada ao redor \\xe9 public\\xe1vel...\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" SOLO NA UNDERWOOD\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Em Tbil\\xedssi, realizou-se uma confer\\xeancia:\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:'\"O otimismo da literatura sovi\\xe9tica\".'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:'Entre outros, o poeta Narovtch\\xe1tov se apresentou. Falou sobre o otimismo inesgot\\xe1vel da literatura sovi\\xe9tica. Em seguida, o escritor georgiano Kemoklidze foi \\xe0 tribuna: \"Uma pergunta ao orador anterior\".'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:'\"Pois n\\xe3o respondeu Narovtch\\xe1tov.'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:'\"Quero fazer uma pergunta sobre Byron. Ele era jovem?\u201D'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:'\u201CSim\u201D, surpreendeu-se Narovtch\\xe1tov, \"Byron morreu relativamente jovem. Mas por qu\\xea? Por que se interessa por isso?\"'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:'\"Outra pergunta sobre Byron. Ele era bonito?\"'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:'\"Sim, Byron era dotado de uma apar\\xeancia fascinante. \\xc9 um fato conhecido...\"'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:'\"Mais uma pergunta, ainda sobre Byron. Ele era abastado?\"'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:'\"\\xc9 claro. Era um lorde. Dono de um castelo... Por Deus, que perguntas exc\\xeantricas...\"'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:'\"E a \\xfaltima pergunta sobre Byron. Ele tinha talento?\"'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:'\"Byron foi um grande poeta da Inglaterra! N\\xe3o compreendo, do que se trata?\"'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:'\"Agora entender\\xe1. Tome o exemplo de Byron. Ele era jovem, bonito, abastado e talentoso. E era pessimista. E voc\\xea \\xe9 velho, pobre, feio e sem talento. E \\xe9 otimista!\"'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Gr\\xe1nin disse:\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u2014 O senhor est\\xe1 exagerando. Um literato deve publicar. Claro que n\\xe3o em detrimento de seu talento. H\\xe1 uma esp\\xe9cie de fenda entre a consci\\xeancia e a inf\\xe2mia. \\xc9 preciso se meter nessa fenda.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Criei coragem e disse:\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u2014 Me parece que perto dessa fenda foi montada uma armadilha para lobos.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Houve um sil\\xeancio penoso.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Eu me despedi e fui embora.\u201D\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText28=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C... \"})}),\"(...)passava a tarde jogando domin\\xf3 com os antigos ditadores de outros pa\\xedses do continente, os pais destronados de outras p\\xe1trias a quem ele havia concedido asilo ao longo de muitos anos e que agora envelheciam na penumbra de sua miseric\\xf3rdia sonhando com o barco quim\\xe9rico da segunda oportunidade nas cadeiras dos terra\\xe7os, falando a s\\xf3s, morrendo mortos na casa de repouso que ele havia constru\\xeddo para eles no mirante do mar depois de haver-lhes recebido a todos como se fossem um s\\xf3, pois todos apareciam de madrugada com o uniforme de gala que haviam vestido pelo avesso sobre o pijama, com um ba\\xfa de dinheiro saqueado do tesouro p\\xfablico e uma maleta com um estojo de condecora\\xe7\\xf5es, recortes de jornais colados em velhos livros de contabilidade e um \\xe1lbum fotografias que o mostravam a ele na primeira audi\\xeancia como se fossem credenciais, dizendo olhe o senhor, general, este aqui sou eu quando era tenente, aqui foi no dia da posse, aqui foi no d\\xe9cimo-sexto anivers\\xe1rio da tomada do poder, aqui, olhe o senhor, general, mas ele lhes concedia asilo pol\\xedtico sem lhes prestar maior aten\\xe7\\xe3o nem examinar credenciais porque o \\xfanico documento de identidade de um presidente derrubado deve ser o atestado de \\xf3bito, dizia, e com o mesmo desprezo escutava discursinho ilus\\xf3rio de que aceito por pouco tempo sua nobre hospitalidade enquanto a justi\\xe7a do povo ajusta contas com o usurpador, a eterna f\\xf3rmula de pueril solenidade que pouco depois ele escutava do usurpador, e logo do usurpador do usurpador como se n\\xe3o soubessem os muito est\\xfapidos que neste neg\\xf3cio de homens aquele que caiu caiu, e a todos hospedava por uns meses no pal\\xe1cio, obrigava-os a jogar domin\\xf3 at\\xe9 despoj\\xe1-los do \\xfaltimo centavo, e ent\\xe3o me levou pelo bra\\xe7o frente \\xe0 janela do mar, ajudou-me a arrepender-me desta vida punheteira que s\\xf3 caminha para um \\xfanico lado, consolou-me com a ilus\\xe3o de que fosse para l\\xe1, olhe, l\\xe1, naquela casa enorme que parecia um transatl\\xe2ntico encalhado no cimo dos arrecifes onde tenho um aposento com muito boa luz e boa comida, e muito tempo para esquecer junto a outros companheiros em desgra\\xe7a, e com uma varanda marinha onde ele gostava de sentar-se nas tardes de dezembro n\\xe3o tanto pelo prazer de jogar domin\\xf3 com aquela c\\xe1fila de velhos malucos sen\\xe3o que para desfrutar da sorte mesquinha de n\\xe3o ser um deles, para olhar-se no espelho de escarmento da mis\\xe9ria deles enquanto ele chapinhava no grande lama\\xe7al da felicidade, sonhando s\\xf3, perseguindo na ponta dos p\\xe9s como um mau pensamento \\xe0s pacientes mulatas que varriam a casa civil na penumbra do amanhecer, farejava seu rastro de dormit\\xf3rio p\\xfablico e brilhantina de botica, espreitava a ocasi\\xe3o de encontrar-se com uma sozinha para fazer amor como o galo atr\\xe1s das portas dos gabinetes enquanto elas rebentavam de riso na sombra, que bandido meu general, t\\xe3o velho e ainda t\\xe3o tarado, mas ele ficava triste depois do amor e punha-se a cantar para consolar-se onde ningu\\xe9m o ouvisse (...) \",/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C\"})]}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText29=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u201C ... Portanto, quando algo d\\xe1 errado na vida, a psicologia profunda ainda olha para a intra e para a intersubjetividade em busca da causa e da terapia. O mundo das coisas p\\xfablicas, objetivas e f\\xedsicas \u2013 pr\\xe9dios, formul\\xe1rios, colch\\xf5es, placas de tr\\xe2nsito, embalagens de leite e \\xf4nibus \u2013 \\xe9, por defini\\xe7\\xe3o, exclu\\xeddo da etiologia da terapia psicol\\xf3gicas. As coisas permanecem fora da alma.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" A psicoterapia tem trabalhado com sucesso em sua esfera de realidade ps\\xedquica concebida como subjetividade, mas n\\xe3o tem revisto a pr\\xf3pria no\\xe7\\xe3o de subjetividade. E, agora, mesmo seu sucesso nesse ponto \\xe9 discut\\xedvel, j\\xe1 que as queixas dos pacientes evidenciam problemas que n\\xe3o s\\xe3o mais meramente subjetivos, no sentido antigo. Pois, durante todo o tempo em que a psicoterapia teve \\xeaxito em aumentar a consci\\xeancia da subjetividade humana, o mundo no qual todas as subjetividades s\\xe3o estabelecidas se desintegrou. A crise est\\xe1 num lugar diferente \u2013 Vietn\\xe3 e Watergate, polui\\xe7\\xe3o e crime nas ruas, a queda no n\\xedvel de instru\\xe7\\xe3o e o aumento de lixo, fraudes e exibi\\xe7\\xf5es. Agora encontramos a patologia na psique da pol\\xedtica e da medicina, na linguagem e no design, no alimento que comemos. A doen\\xe7a est\\xe1 agora \u201Cl\\xe1 fora\u201D.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:' O uso contempor\\xe2neo da palavra \"crise\" revela o que quero dizer. Usinas nucleares, como Three Mile Island, na Pensilv\\xe2nia, ou Chernobyl, s\\xe3o simplesmente exemplos vivos de uma crise provavelmente incur\\xe1vel e cr\\xf4nica. O sistema de tr\\xe1fego, os sistemas educacionais, os tribunais e o sistema de justi\\xe7a criminal, as gigantescas ind\\xfastrias, os governos municipais, as finan\\xe7as e os neg\\xf3cios banc\\xe1rios \u2013 todos atravessam crises, sofrem colapsos ou precisam se sustentar contra a amea\\xe7a de colapso. Os termos \u201Ccolapso\u201D, \u201Cdesordem funcional\u201D, \u201Cestagna\\xe7\\xe3o\u201D, \u201Cbaixa produtividade\u201D e \u201Cdepress\\xe3o\u201D s\\xe3o igualmente v\\xe1lidos para os seres humanos, para os sistemas p\\xfablicos objetivos e para as coisas dentro dos sistemas. A crise se estende a todos os componentes da vida urbana, porque esta \\xe9 agora uma vida constru\\xedda. N\\xe3o vivemos mais num mundo biol\\xf3gico onde a decomposi\\xe7\\xe3o, a fermenta\\xe7\\xe3o, a metamorfose e o catabolismo s\\xe3o equivalentes ao colapso das coisas constru\\xeddas. Meu colega e amigo Robert Sardello, de Dallas, escreve:'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" Um indiv\\xedduo apresentava-se para a terapia no s\\xe9culo XIX; j\\xe1 no s\\xe9culo XX, o paciente em crise \\xe9 o pr\\xf3prio mundo [...]. Os novos sintomas s\\xe3o fragmenta\\xe7\\xe3o, especializa\\xe7\\xe3o, hiperespecializa\\xe7\\xe3o, depress\\xe3o, infla\\xe7\\xe3o, perda de energia, jarg\\xf5es e viol\\xeancia. Nossos pr\\xe9dios s\\xe3o anor\\xe9xicos; nossos neg\\xf3cios, paranoicos; nossa tecnologia, man\\xedaca.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" Onde quer que a linguagem da psicopatologia ocorra (crise, esgotamento, colapso), a psique est\\xe1 falando de si mesma em termos patologizados, atestando a si mesma como sujeito do p\\xe1thos. Assim como o esgotamento aparece em todos esses sintomas da lista de Sardello, o mesmo ocorre com a psique ou a realidade ps\\xedquica. O mundo, devido a sua crise, est\\xe1 ingressando num novo momento de consci\\xeancia: por chamar a aten\\xe7\\xe3o para si por meio de seus sintomas, est\\xe1 se tornando consciente de si mesmo como realidade ps\\xedquica. O mundo \\xe9 agora objeto de imenso sofrimento, exibindo sintomas agudos e grosseiros, com os quais se defende contra o colapso. Assim, passa a ser tarefa da psicoterapia e de seus profissionais adotar a linha iniciada primeiramente por Freud: o exame da cultura com um olhar patol\\xf3gico.\u201D\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText30=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:'\u201C ... Quando chegamos aos trinta anos, suas antipatias haviam se exacerbado tanto que cada um de n\\xf3s se reduzira precisamente \\xe0quilo que o outro tanto suspeitara de in\\xedcio, o \"cabotinismo\" e a \"afeta\\xe7\\xe3o\" professorais que Helen detesta em mim com todas as for\\xe7as \u2014 \"Voc\\xea realmente conseguiu, David, virou um chato de galocha\u201D \u2014, n\\xe3o menos patente que sua \"absoluta neglig\\xeancia\", seu \"esbanjamento idiota\", suas \"fantasias de adolescente\" e outras coisas do g\\xeanero. No entanto, n\\xe3o consigo deix\\xe1-la, nem ela a mim, n\\xe3o at\\xe9 que o desastre total torne simplesmente rid\\xedcula a espera de uma convers\\xe3o milagrosa do outro. Para nossa surpresa e de todos os demais, continuamos casados por quase tanto tempo quanto fomos amantes, talvez porque o casamento agora permite que cada qual ataque de frente o que julga ser seu pr\\xf3prio dem\\xf4nio (e que no come\\xe7o parecia ser a salva\\xe7\\xe3o do outro!). Passam-se os meses e permanecemos juntos, nos perguntando se uma crian\\xe7a poderia resolver aquele louco impasse... ou uma loja de antiguidades para Helen... ou uma joalheria... ou psicoterapia para ambos. Muitas vezes nos ouvimos sendo descritos como um casal extraordinariamente atraente\": bem-vestidos, viajados, inteligentes, cosmopolitas (sobretudo em compara\\xe7\\xe3o com outros casais de professores universit\\xe1rios), uma renda conjunta de doze mil d\\xf3lares por ano... e a vida \\xe9 simplesmente um inferno.\u201D'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"}),/*#__PURE__*/e(\"h2\",{children:\"Saber que a futilidade do que se est\\xe1 fazendo \\xe9 a fonte mais profunda de satisfa\\xe7\\xe3o\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:' \u201C... \"Traduzo Moby Dick para o tcheco. Naturalmente, j\\xe1 existe uma tradu\\xe7\\xe3o deste livro, ali\\xe1s muito boa. N\\xe3o h\\xe1 a menor necessidade de outra. Mas \\xe9 uma coisa que sempre me interessou, e agora, como n\\xe3o tenho nada de urgente para fazer, por que n\\xe3o?\"'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:' \u201CPor que esse livro? Por que Melville?\", pergunto.'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:' \u201CNa d\\xe9cada de cinquenta, passei um ano num programa de interc\\xe2mbio, morando em Nova York. Andando pelas ruas, eu achava que a cidade estava cheia de tripulantes do navio de Ahab. E no leme de tudo, grande ou pequeno, eu via outro trovejante Ahab. O apetite para p\\xf4r as coisas em ordem, para chegar na frente, para ser declarado campe\\xe3o. E \\xe0s custas n\\xe3o somente de energia e for\\xe7a de vontade, mas de uma enorme raiva. E isso, essa raiva, \\xe9 o que eu gostaria de traduzir para o tcheco... se\" \u2014 sorrindo \u2014 \"isso for mesmo traduz\\xedvel para o tcheco. Mas, como voc\\xea pode imaginar, esse projeto ambicioso, quando terminado, ser\\xe1 totalmente in\\xfatil por duas raz\\xf5es. Primeiro, porque n\\xe3o h\\xe1 a menor necessidade de outra tradu\\xe7\\xe3o, sobretudo uma que ser\\xe1 provavelmente inferior \\xe0 ilustre vers\\xe3o que j\\xe1 temos; e, segundo, porque nenhuma tradu\\xe7\\xe3o minha jamais ser\\xe1 publicada neste pa\\xeds. Desse modo, veja voc\\xea, sou capaz de me engajar num trabalho que de outra forma n\\xe3o ousaria enfrentar, sem ter de me preocupar de novo com a possibilidade de que ele seja sensato ou n\\xe3o. Na verdade, certas noites em que trabalho at\\xe9 tarde, a futilidade do que estou fazendo parece ser a minha fonte mais profunda de satisfa\\xe7\\xe3o. Para voc\\xea isso talvez soe apenas como uma esp\\xe9cie pretensiosa de capitula\\xe7\\xe3o, de autozombaria. Vez por outra sinto o mesmo. No entanto, continua a ser a coisa mais s\\xe9ria que consigo pensar em fazer na minha aposentadoria. E voc\\xea\", ele pergunta sempre muito af\\xe1vel, \"o que tanto o atrai em Kafka?\" \u201D'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText31=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:'\"...'}),\" Convencido do pr\\xf3prio talento, Tadeu Mora\\xe7aba tomava como ofensa o fato de os editores n\\xe3o darem destaque \\xe0s suas mat\\xe9rias.Afinal, passou a considerar o jornalismo uma atividade menor, necess\\xe1ria para garantir-lhe o sal\\xe1rio e permitir que, em casa, se dedicasse \\xe0 elabora\\xe7\\xe3o de sua obra-prima.\"]}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Tinha tudo planejado: cinquenta cap\\xedtulos, oitocentas laudas.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"- Livro fino n\\xe3o provoca impacto. O exemplar ter de ficar de p\\xe9 na mesa e a lombada chamar a aten\\xe7\\xe3o na estante \u2013 dizia. \"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Mantinha em seu quarto-escrit\\xf3rio-biblioteca, pr\\xf3ximo \\xe0 esta\\xe7\\xe3o rodovi\\xe1ria, o organograma completo do romance, acompanhado do gr\\xe1fico da complexa trama entre os personagens.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Perguntei se lia muito. Retrucou que era mais escritor do que leitor. E apelou para Rimbaud que, aos 19 anos e, segundo ele, com pouca leitura, havia criado o cl\\xe1ssico Uma esta\\xe7\\xe3o no inferno, dando-se ao luxo de encerrar sua carreira liter\\xe1ria aos 32.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Tadeu Moaraba\\xe7a sofria de ansiedade autoral, essa s\\xedndrome que toma conta de quem mais almeja ser publicado do que criar uma obra liter\\xe1ria consistente. Nunca tive acesso aos originais do romance. N\\xe3o tenho ideia se logrou termin\\xe1-lo.\"}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[\"Passamos muitos anos sem nos ver. Agora soube que o encontraram morto na pens\\xe3o onde morava. Do lado da cama, uma lixeira com pap\\xe9is queimados. Junto um bilhete: \u201CObra completa de Tadeu Moraba\\xe7a.\u201D\",/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201D\"})]}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText32=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u201C... (...) N\\xf3s, donos das casas na Poincinet \u2013 mais tr\\xeas moradores al\\xe9m de mim (sem contar os Feenster) \u2013, entendemos que mantemos nosso terreno na margem fr\\xe1gil do continente por permiss\\xe3o da natureza. Na verdade, a raz\\xe3o de agora s\\xf3 haver cinco de n\\xf3s \\xe9 que as 15 'casinhas' anteriores \u2013 casar\\xf5es grandiloquentes com gabletes e torretas estilo Queen Anne, rococ\\xf3s no estilo campestre alem\\xe3o, constru\\xe7\\xf5es arredondadas no estilo Renascen\\xe7a Rom\\xe2nica \u2013 foram transformadas em p\\xf3 de traque pela ira de Poseidon e sumiram sem deixar vest\\xedgios. Recentemente o furac\\xe3o Gl\\xf3ria, em 1985, deu cabo da \\xfaltima. A eros\\xe3o da praia, o desgaste do litoral, as mudan\\xe7as tect\\xf4nicas, o aquecimento global, a decomposi\\xe7\\xe3o da camada de oz\\xf4nio e o envelhecimento normal transformou todos n\\xf3s em 'sobreviventes', nada mais que zeladores solenes e l\\xfacidos da ess\\xeancia espl\\xeandida e transit\\xf3ria de tudo Os edis da cidade codificaram com prud\\xeancia sua opini\\xe3o aprovando uma restri\\xe7\\xe3o sem-exce\\xe7\\xe3o-nenhuma contra novas constru\\xe7\\xf5es\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"na nossa rua, paternalizando nossas resid\\xeancias mais novas e bem alicer\\xe7adas e exigindo que as reformas e at\\xe9 a manuten\\xe7\\xe3o peri\\xf3dica fossem n\\xe3o expansivas e se submetessem a duras regras. Em outras palavras, nada disso, assim como nenhum de n\\xf3s, vai durar por aqui. Fizemos nosso trato com as for\\xe7as da natureza quando fechamos nosso trato com o banco. S\\xf3 que os Feenster n\\xe3o viam, nem veem, as coisas assim. Tentaram, no primeiro ver\\xe3o deles por aqui, mudar o nome da rua para Bridgeport Road, proibi-la a crian\\xe7as e jovens e fech\\xe1-la na extremidade sul, por onde todos entramos. Quando n\\xe3o deu certo, numa tensa reuni\\xe3o do comit\\xea de planejamento em que eu e os outros moradores nos opusemos, tentaram impedir o acesso \\xe0 praia mais acima, onde tinham existido as antigas casas numa fila majestosa. Argumentaram que o uso p\\xfablico privava-os do gozo total de sua propriedade e fazia cair o valor dos im\\xf3veis (hilariante, j\\xe1 que mesmo que Adolf Eichmann tivesse casa ali o valor continuaria a subir). Tudo isso foi detonado pela comunidade de surfistas, pela comunidade de pesca de cani\\xe7o, pelos donos da loja de iscas e pelo pessoal dos detectores de metais. (Todos n\\xf3s nos opusemos de novo.) Nick Feenster ficou furioso e contratou um advogado de Trenton para verificar o direito da cidade de baixar regulamentos, dizendo que era anticonstitucional. E quando n\\xe3o deu certo, parou de falar com os vizinhos e especificamente comigo e p\\xf4s cartazes na frente da casa dizendo NEM PENSE EM FAZER RETORNO NESSA RUA. SAIA! MANDAMOS REBOCAR! ACREDITE! PROPRIEDADE PRIVADA!!! PRAIA FECHADA DEVIDO A CORRENTE PERIGOSA. CUIDADO COM O PIT BULL! Tamb\\xe9m constru\\xedram uma cerca de madeira pontiaguda e cara entre a casa deles e a minha e instalaram luzes de alarme com sensor de movimento, e tudo isso a prefeitura os obrigou a tirar. Em geral, n\\xf3s, os vizinhos, passamos a ver os Feenster como a t\\xedpica fam\\xedlia que n\\xe3o consegue ser feliz mesmo contando com uma imensa sorte. N\\xe3o eram vizinhos que pareciam sa\\xeddos de seus piores pesadelos (uma banda de tecno-reggae ou uma igreja evang\\xe9lica batista seriam piores), mas um p\\xe9ssimo resultado imobili\\xe1rio, dado que a princ\\xedpio os sinais eram positivos. Principalmente para mim foi um resultado bem ruim, porque, embora n\\xe3o quisesse trocar receitas, emprestar furadeiras nem ficar de papo furado com o morador ao lado, eu apreciaria de vez em quando um coquetel acompanhado ao entardecer, uma breve troca de frases sobre opini\\xf5es pol\\xedticas no jornal pela manh\\xe3 ou um aceno despretensioso entre varandas quando o sol transforma o mar numa fogueira de lantejoulas, enchendo o cora\\xe7\\xe3o com a garantia de que n\\xe3o vivemos as maravilhas da vida inteiramente sozinhos. Em vez disso, nada.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"A correspond\\xeancia entregue l\\xe1 por engano (contas da cl\\xednica Mayo e documentos do departamento de tr\\xe2nsito) \\xe9 toda jogada no lixo. S\\xf3 fazem cara feia. N\\xe3o pedem desculpas quando o alarme do carro dispara \\xe0s duas da tarde e estraga meu cochilo p\\xf3s-operat\\xf3rio. N\\xe3o h\\xe1 nenhum aviso quando uma telha se solta e causa um vazamento por tr\\xe1s da parede quando estou fora, em Rochester. Nem mesmo um 'Comovai?' em gosto \\xfaltimo, quando voltei para casa, n\\xe3o me sentindo muito animado. Duas vezes, Nick chegou a montar um arremessador de alvos na varanda e atirou em pombos de cer\\xe2mica que (na minha opini\\xe3o) voavam perigosamente perto da janela do meu quarto. (Chamei a pol\\xedcia.) Certo dia, um ano atr\\xe1s, pedi a uma das minhas concorrentes, em total segredo, que telefonasse para os Feenster nem nome de um cliente inexistente, esbanjador e cheio da grana para sondar se Nick aceitaria o dinheiro e voltaria para aquela porcaria de Bridgeport, que \\xe9 o lugar dele. A colega \u2013 uma ex-freira carmelita idosa e gentil que dificilmente se choca \u2013 disse que Nick gritou com ela: 'Aquele filho da puta do Bascombe mandou voc\\xea ligar? Por que n\\xe3o vai se foder?\u201D, e bateu o telefone. \u201C\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText33=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[/*#__PURE__*/a(\"em\",{children:[/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:'\"...'}),\"\\xa0 \"]}),\"Ent\\xe3o eu pensei mais em Adrian. Desde o in\\xedcio, ele tinha enxergado com mais clareza do que o resto de n\\xf3s. Enquanto n\\xf3s nos deleit\\xe1vamos nas trevas da adolesc\\xeancia, imaginando que a nossa insatisfa\\xe7\\xe3o rotineira fosse uma resposta original \\xe0 condi\\xe7\\xe3o humana, Adrian j\\xe1 estava olhando mais \\xe0 frente e mais longe. Ele sentia a vida com mais clareza tamb\\xe9m \u2014 at\\xe9 mesmo, talvez parcialmente, quando chegou \\xe0 conclus\\xe3o de que ela n\\xe3o valia a pena. Comparado a ele, eu sempre fui um enrolado, incapaz de aprender muito com as poucas li\\xe7\\xf5es que a vida me deu. Na minha maneira de pensar, eu me preparei para a realidade da vida e me submeti \\xe0s suas necessidades: se acontecer isto, fa\\xe7o aquilo, e assim os anos se passaram. Na maneira de pensar de Adrian, eu desisti da vida, desisti de examin\\xe1-la, aceitei-a como ela se apresentou. E assim, pela primeira vez, eu comecei a sentir um remorso mais geral \u2014 um sentimento que ficava entre a autopiedade e a autodeprecia\\xe7\\xe3o \u2014 em rela\\xe7\\xe3o a toda a minha vida. Toda ela. Eu tinha perdido os amigos da minha juventude. Eu tinha perdido o amor da minha esposa. Eu tinha abandonado as ambi\\xe7\\xf5es que tivera. Eu tinha preferido n\\xe3o ser muito incomodado pela vida e tinha conseguido \u2014 e como isso era pat\\xe9tico.\"]}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[\" Mediano, isso era o que eu tinha sido, desde que terminei a escola. Mediano na universidade e no trabalho; mediano na amizade, lealdade, no amor; mediano, sem d\\xfavida, no sexo. Houve uma pesquisa feita com motoristas brit\\xe2nicos alguns anos atr\\xe1s revelando que 95% dos entrevistados achavam que eram motoristas \u201Cmelhores do que a m\\xe9dia\u201D. Mas, pela lei das probabilidades, a maioria de n\\xf3s est\\xe1 destinada a ser mediana. N\\xe3o que isto sirva de consolo. A palavra ficou ecoando. Mediano na vida; mediano na verdade; mediano moralmente. A primeira rea\\xe7\\xe3o de Veronica quando me viu de novo foi comentar que eu tinha perdido cabelo. Isso n\\xe3o era nada.\",/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:'\"'})})]}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText34=/*#__PURE__*/e(i.Fragment,{children:/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C... \"})}),'No fundo estava com muita vontade de me levantar e de sair, com os meus, da Academia de Ci\\xeancias sem meu pr\\xeamio. Mas fiquei sentado. Eu e que me jogara na armadilha. Eu \\xe9 que me deixara pegar pela Academia de Ci\\xeancias. N\\xe3o havia mais sa\\xedda. Finalmente, o presidente da Academia veio e eu fui at\\xe9 o palco com o presidente da Academia e sentei-me ao lado da ministra. No momento em que me sentei ao lado da ministra, meu amigo Paul n\\xe3o pode se conter, e estourou numa gargalhada que abalou toda a sala e se prolongou at\\xe9 o instante em que a orquestra de c\\xe2mera come\\xe7ou a tocar. Houve alguns discursos sobre Grillparzer, disseram algumas palavras a meu respeito, um atr\\xe1s do outro, falaram certamente durante uma boa hora e portanto, como sempre nessas ocasi\\xf5es, demais, e como era de se esperar, para s\\xf3 dizer besteiras. Durante esses discursos a ministra dormiu e, como ouvi nitidamente, roncou, e s\\xf3 acordou quando a orquestra de c\\xe2mera recome\\xe7ou a tocar. Quando a cerim\\xf4nia terminou, as pessoas se aglomeraram como puderam em torno da ministra e do presidente Hunger. Ningu\\xe9m me dava mais import\\xe2ncia. Como n\\xe3o deixara imediatamente o sal\\xe3o de festas com os meus, pude ainda ouvir a ministra perguntar subitamente bem alto: \"Mas ',/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:\"onde se enfiou o escrevinhador?\"}),'\" Com isso fiquei definitivamente farto e deixei a Academia de Ci\\xeancias o mais depressa que pude. Nada de dinheiro e, ',/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:\"al\\xe9m disso\"}),', deixar que cagassem na minha cabe\\xe7a naquela hora, era realmente demais. Corri para a sa\\xedda, arrastando praticamente os meus at\\xe9 a rua, e ainda ou\\xe7o Paul, que durante essa cena, me dizia: \"',/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:\"Voc\\xea se deixou usar!\"}),\" Eles cagaram na sua cabe\\xe7a!\u201D \\xc9 fato, disse a mim mesmo, eles cagaram na sua cabe\\xe7a. Hoje ainda, mais uma vez, eles cagaram na sua cabe\\xe7a, como sempre cagaram na sua cabe\\xe7a. Mas voc\\xea deixou que eles cagassem na sua cabe\\xe7a, pensei, e na Academia de Ci\\xeancias de Viena, al\\xe9m de tudo. \",/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C\"})]})});export const richText35=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u201C... A Liberdade \\xe9 um desses bairros de S\\xe3o Paulo que, embora em menor escala do que nas regi\\xf5es mais ricas, e por isso mesmo de um modo \\xe0s vezes at\\xe9 simp\\xe1tico, ressalta no mau gosto da sua rala fantasia arquitet\\xf4nica o que a cidade tem de mais pobre e de paradoxalmente mais aut\\xeantico: a vontade de passar pelo que n\\xe3o \\xe9. O p\\xf4r-do-sol em S\\xe3o Paulo \\xe9 reputado como um dos mais espetaculares, por causa da polui\\xe7\\xe3o, eu disse ao homem com l\\xe1bio leporino. S\\xf3\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"fui entender S\\xe3o Paulo era que uma cidade de monumentos \u2013 mas onde os monumentos n\\xe3o existiam; eram por assim dizer invis\\xedveis \u2013 no dia em que sonhei que dirigia um carro, de monumento em monumento, pelas ruas vazias de uma tarde de domingo, no inverno, uma esta\\xe7\\xe3o que aqui tamb\\xe9m n\\xe3o existe. Eram monumentos que eu nunca tinha visto antes, e que s\\xf3 existiam no meu sonho, em lugares onde na realidade se erguem os pr\\xe9dios mais decr\\xe9pitos ou as fantasias arquitet\\xf4nicas mais tolas e n\\xe3o menos pavorosas. S\\xe3o Paulo n\\xe3o se enxerga \u2013 ou n\\xe3o chamaria periferia de periferia. N\\xe3o \\xe9 s\\xf3 eufemismo. Chamam- se exclu\\xeddos aos oitenta por cento da popula\\xe7\\xe3o. N\\xe3o \\xe9 \\xe0 toa que \\xe9 uma cidade de publicit\\xe1rios. Em S\\xe3o Paulo, publicidade \\xe9 literatura, expliquei ao homem com l\\xe1bio leporino, em ingl\\xeas, sem deixar claro se fazia uma cr\\xedtica ou me justificava. \\xc9 uma cidade que quer estar em outro lugar e em outro tempo. E essa vontade s\\xf3 a faz ser cada vez mais o que \\xe9 e o que n\\xe3o quer ser. As mans\\xf5es mouriscas ecl\\xe9ticas do come\\xe7o do s\\xe9culo XX (a maioria derrubada) e os pr\\xe9dios mediterr\\xe2neos, neocl\\xe1ssicos, florentinos e normandos constru\\xeddos h\\xe1 poucas d\\xe9cadas revelam o atraso do presente. Cada imigrante, achando que transplantava o estilo da sua terra e dos antepassados, acabou contribuindo para a caricatura local. Em Nova York, tamb\\xe9m houve um momento de exalta\\xe7\\xe3o capitalista, antes da quebra da bolsa, em 1929, quando o poder do novo dinheiro ergueu pr\\xe9dios renascentistas, na tentativa de transformar a cidade numa nova Floren\\xe7a. Quase cem anos depois, o poder do novo dinheiro ergueu em S\\xe3o Paulo \u2013 uma cidade sitiada pela mis\\xe9ria e pelo crime, dos quais esse mesmo poder se alimenta embora tente em v\\xe3o exclu\\xed-los \u2013 pr\\xe9dios de estuque, que foram batizados de 'estilo florentino', na tentativa de imitar a antiga Nova York. N\\xe3o \\xe9 s\\xf3 que esteja tudo fora do lugar. Est\\xe1 tudo fora do tempo tamb\\xe9m. Na Liberdade, nem mesmo um b\\xeabado, ao sair tr\\xf4pego de um restaurante, acreditando que \\xe9 escritor, pode achar que est\\xe1 numa viela tranquila dos sub\\xfarbios de T\\xf3quio e n\\xe3o numa megal\\xf3pole violenta do Terceiro Mundo. E, no entanto, \\xe9 disso que as ruas de S\\xe3o Paulo tentam convencer quem passa por elas: que est\\xe1 em outro lugar, num esfor\\xe7o in\\xfatil de aliviar a tens\\xe3o e o inc\\xf4modo de estar aqui, o mal-estar de viver no presente e de ser o que \\xe9. \u201C\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText36=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:'\u201C ... Na risada de Michelle havia o reconhecimento de que ela n\\xe3o esta mais no comando das for\\xe7as em a\\xe7\\xe3o. Na sua risada, havia a admiss\\xe3o da sua servid\\xe3o: servid\\xe3o a Norman, \\xe0 menopausa, ao trabalho, \\xe0 velhice, a tudo que podia apenas degenerar ainda mais. Nada que ocorra de imprevisto daqui para a frente tem muita chance de ser bom. E, mais do que isso, a Morte est\\xe1 cheia de vigor no seu canto do ringue, flexionando os joelhos, e um dia, daqui a pouco, vai dar um salto para a outra ponta do ringue, para cima de Michelle, de forma t\\xe3o piedosa como saltou sobre Drenka \u2013 porque, muito embora ela esteja agora mais pesada do que nunca, por volta de sessenta e dois, sessenta e tr\\xeas quilos, a Morte \\xe9 um Tony Galento ou um Man Mountain Dean de duas toneladas. A risada dizia que tudo se havia alterado nela, enquanto estava de costas, enquanto voltava o rosto para o outro lado, o lado certo, de bra\\xe7os bem abertos para a din\\xe2mica mistura de exig\\xeancias e prazeres que fora o alimento di\\xe1rio dos seus trinta e quarenta anos, a toda aquela atividade frequente, toda aquela vida extravagante e festiva \u2013 t\\xe3o inesgotavelmente ocupada... de tal modo que, ao mesmo tempo que os Cowan levavam para cruzar o oceano num avi\\xe3o Concorde para passar um longo final de semana em Paris, Michelle havia completado cinquenta e cinco anos e ardia com calores que subiam ao rosto, e sua filha era agora a forma feminina que irradiava as correntes magn\\xe9ticas. A risada dizia que ela estava farta de ficar ali, farta de planejar fugir, farta de sonhos frustrados, farta de sonhos realizados, farta de se adaptar, farta de n\\xe3o se adaptar, farta de tudo menos de existir. Exultante de existir ao mesmo tempo em que se sentia farta de tudo \u2013 isso \\xe9 que estava na sua risada. Uma imensa e hilariante risada semiderrotada, semialegre, semimagoada, seminegativa. Sabbath gostou dela, gostou dela imensamente. Na certa, uma parceira t\\xe3o insuport\\xe1vel quanto ele mesmo. Sabbath conseguia discernir em Michelle, toda vez que seu marido falava, um desejo de ser um pouquinho cruel com Norman, via Michelle escarnecendo do que ele tinha de melhor, das melhores coisas que havia nele. Se a mulher n\\xe3o fica com raiva dos v\\xedcios do marido, fica com raiva das suas virtudes. Norman toma Prozac porque n\\xe3o pode vencer. Tudo est\\xe1 abandonando Michelle, exceto sua bunda, que, conforme seu guarda-roupa a tem informado, vem aumentando na \\xfaltima temporada \u2013 e exceto tamb\\xe9m aquele homem dotado da serenidade de um pr\\xedncipe, marcado pelo bom senso e pelo compromisso \\xe9tico, da mesma forma que os outros traziam a cicatriz da insanidade ou da doen\\xe7a. Sabbath compreendeu o estado de esp\\xedrito de Michelle, o estado da sua vida, o estado do seu sofrimento: o sol vai se pondo, e o sexo, nosso maior luxo, est\\xe1 fugindo para longe a uma velocidade tremenda, tudo est\\xe1 se afastando a uma velocidade tremenda, e a mulher, em seu desatino, fica se perguntando se deixou passar em branco uma \\xfanica e miser\\xe1vel chance de dar uma trepada. A mulher daria o bra\\xe7o direito por isso, ainda mais se for uma boazuda como esta aqui. N\\xe3o \\xe9 muito diferente da Grande Depress\\xe3o, n\\xe3o \\xe9 muito diferente de ir \\xe0 fal\\xeancia da noite para o dia, depois de anos e anos ganhando grana. \"Nada que ocorra de imprevisto daqui para a frente\", os calores no rosto dizem a ela, \"tem muita chance de ser bom.\" Os calores no rosto imitando de modo sarc\\xe1stico o \\xeaxtase sexual. Ela baixou em plena linha de fogo do tempo, que voa adiante em desembestada carreira. Envelhecendo dezessete dias a cada dezessete segundos na fornalha. Sabbath cronometrou o tempo dela no rel\\xf3gio Benrus de Morty. Dezessete segundos de menopausa escorrendo pelo seu rosto. Como se algu\\xe9m tivesse derramado sobre ela. E de repente para, como se a tampa tivesse sido fechada. Mas, enquanto Michelle est\\xe1 tocada por aquele calor, Sabbath pode ver como, para ela, parece que aquilo n\\xe3o tem fundo \u2013 que dessa vez ela vai ser mesmo torrada no fogo, como fizeram com Joana d\\'Arc.'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Nada comove tanto Sabbath quanto essas gostosonas que est\\xe3o ficando velhas, com seus passados prom\\xedscuos e suas filhas jovens e bonitas. Sobretudo quando elas ainda est\\xe3o dispostas a rir como essa mulher. A gente v\\xea tudo o que elas foram outrora, nessa risada. Sou o que restou da famosa trepada do motel \u2013 ponha uma medalha nos meus peitos ca\\xeddos. N\\xe3o \\xe9 nada engra\\xe7ado arder numa pira em pleno jantar.\u201D\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText37=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u201C... \u2013 Voc\\xea tem pintado muitas coisas deliciosas e alegres, Luigi \u2013 disse Klingsor \u2013, de que eu gosto muito: paus de bandeira, palha\\xe7os e circos. Mas o que mais me agrada \\xe9 um trecho apenas de seu carrossel noturno. Lembra-se? Acima da tenda violeta e longe de todas as luzes l\\xe1 no alto, dentro da noite, h\\xe1 uma pequena bandeira fria, rosa-clara, t\\xe3o fria, t\\xe3o solit\\xe1ria, t\\xe3o horrivelmente solit\\xe1ria! \\xc9 como um poema de Li Tai Pe ou Paul Verlaine. Naquela pequena bandeira rosa e rid\\xedcula concentra-se toda a desgra\\xe7a e toda a resigna\\xe7\\xe3o do mundo e todos os risos que merecem a desgra\\xe7a e a resigna\\xe7\\xe3o. Voc\\xea justificou sua vida pelo simples fato de ter pintado essa bandeirinha, que considero uma das suas maiores realiza\\xe7\\xf5es.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u2013 Sim, eu sei que voc\\xea gosta dela.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u2013 Voc\\xea gosta tamb\\xe9m. Veja, se voc\\xea n\\xe3o tivesse pintado algumas dessas coisas, toda a boa comida, todo o vinho, todas as mulheres e todo o caf\\xe9 de sua vida de nada valeriam, pois voc\\xea n\\xe3o passaria de um pobre-diabo. Mas voc\\xea \\xe9 um rico diabo e um camarada simp\\xe1tico de quem todos gostam. Acontece, Luigi, que eu penso muitas vezes como voc\\xea... Toda nossa arte n\\xe3o \\xe9 sen\\xe3o um substituto, um substituto penoso e dez vezes mais caro da vida dissipada, da animalidade dissipada, do amor dissipado. Mas na realidade n\\xe3o \\xe9 assim. \\xc9 muito diferente. Se considerarmos as coisas do esp\\xedrito como simples substitutos da sensualidade perdida, estaremos subestimando as coisas dos sentidos. A sensualidade n\\xe3o vale um centil mais que a espiritualidade e a rec\\xedproca \\xe9 verdadeira. \\xc9 tudo igual e tudo \\xe9 igualmente bom. Quer se abrace uma mulher, que se escreva um poema, \\xe9 tudo a mesa coisa. Enquanto a coisa principal for o amor, o entusiasmo, a emo\\xe7\\xe3o, tanto faz ser um monge do Monte Atos ou um homem de sociedade em Paris.\u201C\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText38=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:'\u201C ... Um dia, sua av\\xf3 o levou ao s\\xf3t\\xe3o e mostrou-lhe uma caixa cheia de todos os tipos de bugigangas, a maioria lixo, exceto por uma coisa: livros! Livros de aventura! Um era sobre um passageiro clandestino que se escondeu no conv\\xe9s de um navio, manteve-se vivo \\xe0 base de p\\xe3o e era constantemente amea\\xe7ado por ratos. A \\xe1gua que mais tarde encontrou em alguns barris era chamada de \"\\xe1gua doce\". Tinha sido ado\\xe7ada com a\\xe7\\xfacar? Assim Thomas imaginava, pois de que outra forma poderia explicar-se o \\xeaxtase do menino quando conseguiu abrir um buraco no barril?'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"O melhor lugar para sonhar acordado com essas e outras aventuras era o anexo, que ficava no final de um caminho protegido por copas de p\\xe9s de groselha. A porta do anexo era trancada por dentro e a abertura em forma de cora\\xe7\\xe3o podia ser usada para visualizar quem quer que viesse em dire\\xe7\\xe3o a ele. Algumas fendas deixavam a luz do sol entrar, e havia sempre o som dos mosquitos, das abelhas e dos zang\\xf5es. De vez em quando, um zang\\xe3o peludo, zumbido alto, vagueava para dentro do fosso (cujo fedor Thomas inalava com prazer). Os cantos estavam sempre cheios de aranhas tecendo suas teias, a trave-mestra manchada de estearina, deixada pelas velas. Havia fendas tamb\\xe9m nas paredes laterais, atrav\\xe9s das quais n\\xe3o havia nada para ver, a n\\xe3o ser folhas do sabugueiro negro.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"Ao ver Antonina passar pelo cora\\xe7\\xe3o na porta, ele despertava de seus sonhos e abotoava as cal\\xe7as rapidamente. Do outro lado do caminho, havia um fosso onde Antonina abatia as galinhas. Seus l\\xe1bios enrugavam e as bochechas salientavam-se; ela erguia um bra\\xe7o segurando o cutelo e manobrava a galinha sobre o peda\\xe7o de tronco com o outro; apenas levemente agitada, a galinha parecia passiva, de curiosidade pregui\\xe7osa ou indiferente, era dif\\xedcil dizer. O cutelo brilhou, o rosto de Antonina enrugado pela dor, at\\xe9 mesmo com um fraco sorriso for\\xe7ado, e uma massa coberta de penas eram ent\\xe3o vistos caindo sem dire\\xe7\\xe3o sobre o ch\\xe3o. Thomas estremecia ao ver, e exatamente porque estremecia, mantinha-se espectador. O degolamento tornava-se algo extraordin\\xe1rio. Um galo, um enorme p\\xe1ssaro eri\\xe7ado com penas douradas cintilando, tentava fugir sem a cabe\\xe7a, apenas com o toco vermelho de pesco\\xe7o sobressaindo. Seu voo mudo fez Antonina ficar de queixo ca\\xeddo - e admirada, pois o galo caiu somente ap\\xf3s colidir com um tronco.\u201D\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText39=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:'\"... Mas \\xe9 f\\xe1cil duvidar de si mesmo, porque voc\\xea olha e v\\xea ao redor um conjunto de no\\xe7\\xf5es defendidas por outros escritores, outros intelectuais que fazem voc\\xea corar de culpa. Escrever \\xe9 considerado um exerc\\xedcio dif\\xedcil, agonizante, desagrad\\xe1vel, uma ocupa\\xe7\\xe3o terr\\xedvel. Mas, veja voc\\xea, meus contos me guiaram pela vida. Eles gritam, eu sigo. Eles correm e mordem a minha perna \u2013 reajo escrevendo tudo o que aconteceu durante a mordida. Quando termino, a ideia se liberta e escapa. Essa \\xe9 a vida que tenho vivido. B\\xeabado e no comando de uma bicicleta, como dizia um relato da pol\\xedcia irlandesa. B\\xeabado de vida; \\xe9 isso, sem saber aonde ir depois. Mas voc\\xea encontra o caminho antes de amanhecer. E a viagem? Exatamente metade terror, exatamente metade alegria.\"'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText40=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u201C ... Wilhelm estava profundamente impressionado: acreditava ouvir a voz de seu pai e, no entanto, n\\xe3o era ela; atrav\\xe9s da presen\\xe7a e da lembran\\xe7a ele se encontrava num estado de extrema confus\\xe3o.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" N\\xe3o p\\xf4de refletir por muito tempo, pois nesse momento entrou o abade e colocou-se atr\\xe1s da mesa verde. \"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \u2014 Aproxime-se! \u2014 ordenou a seu at\\xf4nito amigo. \"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" Ele se aproximou e subiu os degraus. Sobre o tapete havia um pequeno rolo.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \u2014 A\\xed est\\xe1 sua carta de aprendizado \u2013 disse o abade. \u2014 Tome-a a peito, pois seu conte\\xfado \\xe9 importante. \"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" Wilhelm apanhou-a, abriu-a e leu:\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"CARTA DE APRENDIZADO\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u201CLonga \\xe9 a arte, breve a vida, dif\\xedcil o ju\\xedzo, fugaz a ocasi\\xe3o. Agir \\xe9 f\\xe1cil, dif\\xedcil \\xe9 pensar; inc\\xf4modo \\xe9 agir de acordo com o pensamento. Todo o come\\xe7o \\xe9 claro, os umbrais s\\xe3o o lugar da esperan\\xe7a. O jovem se assombra, a impress\\xe3o o determina, ele aprende brincando, o s\\xe9rio o surpreende. A imita\\xe7\\xe3o nos \\xe9 inata, mas o que se deve imitar n\\xe3o \\xe9 f\\xe1cil reconhecer. Raras as vezes em que se encontra o excelente, mais raro ainda apreci\\xe1-lo. Atraem-nos a altura, n\\xe3o os degraus; com os olhos fixos no pico caminhamos de bom grado pela plan\\xedcie. S\\xf3 uma parte da arte pode ser ensinada, e o artista a necessita por inteiro. Quem a conhece pela metade, engana-se sempre e fala muito; quem a possui por inteiro s\\xf3 pode agir, falar pouco ou tardiamente. Aqueles n\\xe3o t\\xeam segredos nem for\\xe7a; seu ensinamento \\xe9 como p\\xe3o cozido, que tem sabor e sacia por um dia apenas; mas n\\xe3o se pode semear a farinha, e as sementes n\\xe3o devem ser mo\\xeddas. As palavras s\\xe3o boas, mas n\\xe3o s\\xe3o o melhor. O melhor n\\xe3o se manifesta pelas palavras. O esp\\xedrito, pelo qual agimos, \\xe9 o que h\\xe1 de mais elevado. S\\xf3 o esp\\xedrito compreende e representa a a\\xe7\\xe3o. Ningu\\xe9m sabe o que ele faz quando age com Justi\\xe7a; mas do injusto temos sempre consci\\xeancia. Quem s\\xf3 atua por s\\xedmbolos \\xe9 um pedante, um hip\\xf3crita ou um embusteiro. Estes s\\xe3o numerosos e se sentem bem Juntos. Sua verborragia afasta o disc\\xedpulo, e sua pertinaz mediocridade inquieta os melhores. O ensinamento do verdadeiro artista abre o esp\\xedrito, pois onde faltam as palavras, fala a a\\xe7\\xe3o. O verdadeiro disc\\xedpulo aprende a desenvolver do conhecido o desconhecido e aproxima-se do mestre.\u201D\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \u2014 Basta \u2014 exclamou o abade. \u2014 O resto a seu tempo. Agora, olhe para esses arm\\xe1rios.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" Wilhelm encaminhou-se at\\xe9 eles e leu as inscri\\xe7\\xf5es nos rolos. At\\xf4nito, encontrou ali os anos de aprendizado de Lothario, os anos de aprendizado de Jarno e os seus pr\\xf3prios anos de aprendizado, em meio a muitos outros, cujos nomes lhe eram desconhecidos.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \u2014 Posso esperar que me deixe olhar esses rolos?\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \u2014 Doravante, nada neste c\\xf4modo est\\xe1 cerrado para o senhor.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \u2014 Posso fazer uma pergunta?\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \u2014 N\\xe3o hesite! E pode esperar uma resposta decisiva, caso se trate de um assunto que lhe toque antes de tudo o cora\\xe7\\xe3o, e que deva o cora\\xe7\\xe3o tocar.\u201C\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText41=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u201C... Isto n\\xe3o \\xe9 uma fic\\xe7\\xe3o, embora pare\\xe7a. Na verdade, sempre acreditei num poder antecipat\\xf3rio da literatura. Robert Walser, o escritor su\\xed\\xe7o, foi encontrado morto, deitado na neve, no meio do campo, d\\xe9cadas depois de fazer um de seus personagens morrer da mesma forma. A pr\\xf3pria Ivone, que n\\xe3o \\xe9 boba, uma vez me disse que, se fosse assim t\\xe3o f\\xe1cil, bastaria escrever que meus livros vendiam milh\\xf5es de c\\xf3pias e que eu tinha recebido o pr\\xeamio Nobel para ter a vida ganha. Mas n\\xe3o \\xe9 assim. Esse poder antecipat\\xf3rio da literatura justamente n\\xe3o vem da escolha. Mais de uma vez escrevi sobre homens sem escr\\xfapulos, sem moral, sem car\\xe1ter, dispostos a qualquer coisa para executar atos de uma curiosa pervers\\xe3o, em que dinheiro e sexo eram insepar\\xe1veis. Tipos horr\\xedveis, eu achava. Nunca soube expressar ao certo o que me atra\\xeda nesses personagens. \\xc9 verdade que meu pai tinha uma rela\\xe7\\xe3o estranha com as pessoas e o mundo, que envolvia\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"sexo e dinheiro, e que envolveu a mim, minha irm\\xe3, minha m\\xe3e e todas as outras mulheres da vida dele (inclusive a aeromo\\xe7a). Nunca soube explicar se vinha da\\xed o meu interesse. Era apenas natural; esses personagens me fascinavam. O estranho \\xe9 que pudesse dizer, sem sombra de d\\xfavida, que os detestaria se os encontrasse na vida real. At\\xe9 encontrar P. M. h\\xe1 dez anos. Tinha ido a Nova York para pensar. Precisava de um tempo. No meio da vida, n\\xe3o sabia mais se queria ser escritor, arquiteto ou homem de finan\\xe7as, um simples especulador. O fato de estar num lugar onde ningu\\xe9m falava a minha l\\xedngua s\\xf3 fez piorar a indisposi\\xe7\\xe3o inconsciente para a primeira op\\xe7\\xe3o (nunca dei para escritor), promovendo, sem que no fundo eu realmente a desejasse, a segunda, em que me formei. Foi ao conhecer P. M. que surgiu a terceira, como uma alternativa autodestrutiva (era ele mesmo que usava esse termo a torto e a direito), j\\xe1 que nela me tornava apenas um espelho do que ele era, anulando ao mesmo tempo tudo o que eu tinha sido at\\xe9 ent\\xe3o. No processo de n\\xe3o querer mais ser o que eu era, ele foi apenas a p\\xe1 de cal. Quis me fundir nele, me confundir com o seu sangue, matar e morrer, que era a mesma coisa. Ele era a caricatura de um outro pa\\xeds, de um lugar que n\\xe3o era meu, do que eu n\\xe3o podia ser mas queria a qualquer pre\\xe7o, a caricatura do capitalismo financeiro americano encarnado como uma doen\\xe7a psicol\\xf3gica (nele mas tamb\\xe9m em mim), um caso de patologia infantil, diria o velho psicanalista, que depois tentou me ajudar a esclarecer o mist\\xe9rio. \u201C\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText42=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:'\u201C ... Mas estou preso para sempre naquilo que voc\\xea fez de mim \u2014 um jovem escritor sem apoio dos pais. Se voc\\xea foi o que afirma ter sido, isso \\xe9 outra quest\\xe3o, e merece ser investigada. O que algu\\xe9m escolhe revelar na fic\\xe7\\xe3o \\xe9 determinado por um motivo fundamentalmente est\\xe9tico; julgamos o autor de um romance pela qualidade que demonstra ao contar uma hist\\xf3ria. Mas julgamos moralmente o autor de uma autobiografia, cuja motiva\\xe7\\xe3o \\xe9 sobretudo \\xe9tica e n\\xe3o est\\xe9tica. Qu\\xe3o pr\\xf3xima a narra\\xe7\\xe3o \\xe9 da verdade? Ser\\xe1 que o autor est\\xe1 escondendo seus motivos, apresentando seus atos e pensamentos a fim de desnudar a natureza essencial das situa\\xe7\\xf5es ou tentando ocultar alguma coisa, dizendo com a inten\\xe7\\xe3o de n\\xe3o dizer? De certo modo, sempre dizemos com a inten\\xe7\\xe3o tamb\\xe9m de n\\xe3o dizer, por\\xe9m se espera que o historiador pessoal resista ao m\\xe1ximo ao impulso natural de falsificar, distorcer negar. Esse \\xe9 realmente \"voc\\xea\" ou o que voc\\xea deseja parecer a seus leitores aos cinquenta e cinco anos? Voc\\xea me diz em sua carta que o livro d\\xe1 a impress\\xe3o de ser o primeiro que escreveu de forma \"inconsciente\". Isso significa que Os fatos \\xe9 uma obra de fic\\xe7\\xe3o inconsciente? Que voc\\xea n\\xe3o tem consci\\xeancia dos truques de fic\\xe7\\xe3o dela? Pense nas exclus\\xf5es, na natureza seletiva do trabalho, na pr\\xf3pria atitude de encarar os fatos. Ser\\xe1 toda essa manipula\\xe7\\xe3o de fato inconsciente ou ela apenas finge ser inconsciente?\u201D'}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});export const richText43=/*#__PURE__*/a(i.Fragment,{children:[/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C... \"})}),\"\u2014\",/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\" \"}),\"Compreendo muito bem, Ivan. A gente quer amar com o cora\\xe7\\xe3o, com as entranhas. Disseste isso multo bem e fico content\\xedssimo ao ver que tens tanto desejo de viver. Penso que, antes de tudo, \\xe9 preciso amar a vida.\"]}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u2014 Amar a vida mais que o sentido da vida?\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u2014 Isso mesmo! Am\\xe1-la antes da l\\xf3gica, como tu o disseste: sim, antes que \\xe0 l\\xf3gica: e s\\xf3 assim lhe compreenderemos o sentido. \\xc9 isso que ando entrevendo vagamente, h\\xe1 algum tempo. E metade da tarefa j\\xe1 est\\xe1 feita, Ivan: tu amas a vida. Agora, \\xe9 preciso que consigas realizar a segunda parte, e estar\\xe1s salvo.\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u2014 Ai, j\\xe1 est\\xe1s a cuidar da minha salva\\xe7\\xe3o; mas talvez eu ainda n\\xe3o esteja perdido! Em que consiste pois a segunda metade?\"}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u2014 \\xc9 preciso que ressuscites os teus mortos... que talvez ainda estejam vivos... Vamos, serve-me ch\\xe1. Sinto-me feliz em conversar contigo, Ivan.\"}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[\"\u2014 Pelo que vejo est\\xe1s inspirado. E me agradam extraordinariamente essas \",/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:\"professions de foi\"}),\" de... novi\\xe7os como tu. Tu \\xe9s um homem de fibra, Alioscha. \\xc9 verdade que pretendes deixar o mosteiro?\"]}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[\"\u2014 Sim. O meu \",/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:\"starets\"}),\" mandou-me para o mundo.\"]}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[\"\u2014 Ent\\xe3o, tornaremos a nos encontrar no mundo; haveremos de nos encontrar antes que eu atire fora o c\\xe1lice. Nosso pai \u2013 esse n\\xe3o quer separar-se da ta\\xe7a antes dos setenta anos, ou oitenta, talvez: ele mesmo o disse. E por mais palha\\xe7o que seja, afirma isso a s\\xe9rio. Agarra-se \\xe0 sua lux\\xfaria como a uma rocha... A falar verdade, depois dos trinta anos a gente n\\xe3o se pode manter na vida sen\\xe3o gra\\xe7as lux\\xfaria... Mas viver assim at\\xe9 os setenta anos, \\xe9 por demais ign\\xf3bil! \\xe9 melhor parar aos trinta, A gente consegue ent\\xe3o obter certa \u201Capar\\xeancia de nobreza\u201D engando-se a si pr\\xf3prio...\",/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C\"})]}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \"}),/*#__PURE__*/e(\"h3\",{children:/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"Uma estranha forma de pedir perd\\xe3o\"})}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\" \"}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:[/*#__PURE__*/e(\"em\",{children:/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C... \"})}),'Quando chegamos, o meu advers\\xe1rio e o seu padrinho j\\xe1 estavam l\\xe1, esperando. Colocaram-nos a doze passos um do outro; ele devia atirar em primeiro lugar; fiquei \\xe0 sua frente, multo alegre, olhando-o afetuosamente nos olhos; j\\xe1 sabia o que iria fazer. Ele atirou. A bala apenas me arranhou a face e a orelha. \"Gra\\xe7as a Deus, exultei, o senhor n\\xe3o matou um homem!\" Segurei a pistola, virei-me e atirei-a no mato. \"\\xc9 ai o teu lugar!\" gritei. Depois voltei-me para o meu advers\\xe1rio: \"Cavalheiro, perdoe ao louco que sou t\\xea-lo ofendido, perdoe t\\xea-lo obrigado depois a atirar em mim. Sou dez vezes pior do que o senhor. Diga isso da minha parte \\xe0 pessoa que o senhor mais estima neste mundo.\" Mal articulei isso, puseram-se os tr\\xeas a protestar: \"Que est\\xe1 fazendo? exclamou o meu advers\\xe1rio, furioso. Se n\\xe3o pretendia bater-se, por que nos incomodou?\" \"Ontem, falei alegremente, eu ainda era um louco, mas hoje recuperei o senso.\" \u2014 \"Quanto a ontem, concordo, mas hoje \\xe9 dif\\xedcil de julgar, vendo-se o seu procedimento.\" \u2014 \"Bravo! repliquei, batendo palmas, nesse ponto estou de acordo com o senhor, bem o mereci.\" \"Val atirar, cavalheiro? 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Se eu soubesse!\" Mas encarei a todos, e disse sem rir, dessa vez: \"Cavalheiros, ent\\xe3o \\xe9 coisa t\\xe3o extraordin\\xe1ria na nossa \\xe9poca encontrar-se um homem que se arrependa da sua tolice, e a reconhe\\xe7a publicamente?\" \"Sim, mas n\\xe3o no terreno, replicou a minha testemunha.\" \u2014 \"\\xc9 isso principalmente que \\xe9 penoso, e \\xe9 nisso que est\\xe1 a dificuldade: eu gostaria de pedir desculpas logo \\xe0 chegada, antes que o meu advers\\xe1rio atirasse, impedindo-o assim de cometer um pecado mortal; mas organizamos nossa exist\\xeancia de modo t\\xe3o monstruoso que me era quase imposs\\xedvel agir dessa maneira; e s\\xf3 depois de me submeter ao tiro do meu advers\\xe1rio, a doze passos de dist\\xe2ncia, \\xe9 que minhas palavras poderiam ter para ele algum valor; se me houvesse desculpado logo \\xe0 entrada, antes que ele atirasse, diriam: \\'\\xc9 um covarde, est\\xe1 com medo da pistola, n\\xe3o lhe deem ouvidos.\\' Cavalheiros, continuei com repentino impulso, olhem em torno de si: est\\xe3o vendo os dons de Deus! O c\\xe9u claro, o ar puro, a erva tenra, os p\\xe1ssaros, a natureza inocente e bela! S\\xf3 n\\xf3s, est\\xfapidos e \\xedmpios, n\\xe3o compreendemos que a vida \\xe9 o para\\xedso; bastaria que o compreend\\xeassemos para que ele se realizasse imediatamente em toda a sua beleza, entre as nossas l\\xe1grimas e os nossos abra\\xe7os...\"'}),/*#__PURE__*/a(\"p\",{children:['Quisera continuar, mas n\\xe3o o pude; a alegria que me possu\\xeda o cora\\xe7\\xe3o tirava-me o f\\xf4lego; sentia uma alegria como jamais a experimentara. \"Tudo isso \\xe9 multo piedoso e razo\\xe1vel, disse o meu advers\\xe1rio. De qualquer maneira, o senhor \\xe9 um homem original.\" \u2014 \"Ria, falei eu rindo tamb\\xe9m, e mais tarde me h\\xe1 de louvar.\" \u2014 \"Mas j\\xe1 estou pronto a louv\\xe1-lo desde agora, disse ele, e a lhe estender a m\\xe3o, porque o senhor parece realmente sincero.\" \u2014 \"N\\xe3o, agora n\\xe3o, mais tarde, quando eu me tornar melhor e merecedor de sua estima, ent\\xe3o me h\\xe1 de estender a m\\xe3o e far\\xe1 bem.\u201D ',/*#__PURE__*/e(\"strong\",{children:\"\u201C\"})]}),/*#__PURE__*/e(\"p\",{children:\"\u200D\"})]});\nexport const __FramerMetadata__ = {\"exports\":{\"richText30\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText23\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText35\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText9\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText32\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText6\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText24\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText36\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText4\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText21\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText25\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText34\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText1\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText42\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText13\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText2\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText43\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText40\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText18\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText28\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText37\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText33\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText20\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText12\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText26\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText11\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText8\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText39\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText10\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText7\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText31\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText17\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText16\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText3\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText27\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText19\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText38\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText14\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText15\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText41\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText29\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText5\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"richText22\":{\"type\":\"variable\",\"annotations\":{\"framerContractVersion\":\"1\"}},\"__FramerMetadata__\":{\"type\":\"variable\"}}}"],
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